Anatomia dos R$100: quanto sobra pra você no marketplace

Precificação · 6 min de leitura · por Roger

Anatomia dos R$100: quanto desse dinheiro é realmente seu?

Você anunciou a caneca de cerâmica por R$100. Alguém comprou. Você comemorou. Aí o dinheiro caiu na conta uns dias depois: R$54. E a pergunta ficou martelando na cabeça — cadê o resto?

Não sumiu. Foi fatiado. Cada pedaço tem um nome, e quase nenhum deles é "lucro". O problema é que o número que aparece no anúncio é o único que a gente vê, então a gente decora ele como se fosse o dinheiro que entra. Não é. O preço de venda é o começo da conta, não o fim.

Vamos abrir essa nota de R$100 e olhar fatia por fatia.

Caneca de cerâmica artesanal ao lado de moedas de real em arco decrescente e um celular com um anúncio de marketplace sobre a bancada

Abrindo a nota de R$100

Imagine essa caneca vendida na Shopee, com você dentro do programa de frete grátis. De cada R$100:

  • Comissão da plataforma: R$20. No programa de frete grátis, a mordida da Shopee costuma ficar perto de 20%. No Mercado Livre, dependendo do tipo de anúncio, é de 12% a 19%. Não é pouco, e sai antes de qualquer outra coisa.
  • Taxa fixa por item: R$4. Aquele valor por unidade vendida que quase ninguém soma na hora de anunciar.
  • Frete grátis que sai do seu bolso: R$12. O cupom da plataforma cobre até um teto (R$20, R$30, R$40). O que passa disso, quem paga é você. Numa peça um pouco mais pesada ou pra outra região, esses R$12 aparecem sem avisar.
  • Cupom que você mesmo ofereceu: R$5. Aquele "5% OFF" pra fechar a venda. Saiu inteiro da sua parte.
  • Imposto sobre a venda cheia: R$6. E aqui vem a pegadinha mais cruel: você paga imposto sobre os R$100, não sobre os R$54 que sobraram. No Simples, uns 6% sobre o valor cheio.
  • Embalagem e etiqueta: R$3. Caixa, plástico bolha, fita, papel da etiqueta.

Soma das taxas: R$50. Metade da nota evaporou antes de você tocar em um grama de argila.

Sobraram R$50. E é aqui que a maioria dos vendedores para de contar e acha que ganhou. Mas essa conta ainda nem começou de verdade.

O lucro imaginado e o lucro real

O erro clássico é este: "Gastei R$18 de material, vendi por R$100, então lucrei R$82." Esse é o lucro imaginado. Ele ignora as taxas e ignora o custo mais caro de todos — o seu tempo.

Vamos ao lucro real. Dos R$50 que sobraram das taxas, tire os R$18 de materiais (argila, esmalte, gás do forno). Restam R$32. Se a caneca levou 2 horas entre modelar, secar, esmaltar e queimar, você acabou de trabalhar por R$16 a hora — e isso ainda antes de descontar a energia do forno e o aluguel do cantinho onde você trabalha. Depois disso, o "lucro" beira o zero.

Repare na distância: R$82 imaginados contra quase nada real. Não é que você fez algo errado. É que a plataforma mostra um número e cobra por trás outros seis.

Já que a palavra vai aparecer, vale separar duas que vivem trocadas: markup é o quanto você soma em cima do custo; margem é o quanto sobra do preço de venda. Se o custo é R$50 e você vende por R$100, o markup é de 100% (dobrou o custo), mas a margem é de 50% (metade do preço é custo). Parecem a mesma coisa e não são — e é justamente na margem que as taxas do marketplace comem.

Balança de precisão com um novelo de crochê de algodão, régua e tesoura sobre a bancada, medindo o custo real do material

Como montar o preço de trás pra frente

A conta certa não começa no preço. Começa no custo real, e só no fim entra a plataforma. Três camadas:

1. Material de verdade — com conversão de unidade e desperdício. O esmalte não vem "por peça", vem no pote. Se o pote de 500 g custa R$50, cada grama custa R$0,10; a caneca usa 40 g, então são R$4 — só que 1 em cada 5 peças racha no forno, e esse desperdício de 20% é real. Ou você o coloca no custo, ou ele sai da sua margem calado. Some tudo (argila, esmalte, gás) com o desperdício embutido: uns R$18.

2. Sua hora de trabalho. Duas horas a R$25 a hora são R$50. Sua mão não é de graça. Se você não colocar a mão de obra na conta, você não tem lucro — você tem um salário disfarçado de lucro, e baixo.

3. Custos fixos rateados. Energia, gás do forno, o aluguel do espaço, a internet pra anunciar. Divididos por peça, uns R$7.

Custo real da caneca: R$75. Não R$18.

Agora, e só agora, entra o marketplace. Se a plataforma leva ~35% do preço em comissão, frete, cupom e imposto somados, o preço não é "custo + o que eu acho justo". É de trás pra frente: preço = (custo + lucro desejado) ÷ (1 − taxa). Quer R$25 de lucro sobre os R$75 de custo? Precisa que sobrem R$100 depois das taxas: R$100 ÷ (1 − 0,35) = R$154.

Ou seja: a caneca que você anunciou por R$100 precisava estar perto de R$150 pra te pagar de verdade. A R$100, você estava trabalhando quase de graça — e nem sabia.

O erro que come a margem sem você ver

Três armadilhas derrubam a conta mais bonita:

  • Esquecer o frete grátis. É o custo mais invisível de todos porque muda de venda pra venda. Peça mais pesada, cliente mais longe — e lá se vão R$12 que você não previu.
  • Não cobrar a mão de obra. É o mais comum e o mais caro. Sem ela, todo "lucro" é só o seu tempo mal pago.
  • Usar o mesmo preço em plataformas diferentes. Shopee, Mercado Livre e Etsy cobram comissões diferentes. Preço igual nos três significa margem diferente nos três — e prejuízo em pelo menos um.

Caixa de envio fechada com etiqueta em branco, rolo de fita e moedas de real ao lado, com uma vela artesanal ao fundo

Como o CrafterBy resolve isso na prática

Fazer essa conta uma vez, no papel, é possível. Fazer pra cada peça, em cada plataforma, toda vez que o custo do material muda — aí vira spreadsheet infinita e erro garantido.

No CrafterBy você monta a biblioteca de materiais uma vez, com conversão de unidade e fator de desperdício já embutidos — o pote de 500 g vira R$/grama sozinho. Cria um template reutilizável da caneca, que soma material, sua hora de trabalho e os custos fixos rateados. E a análise de margem mostra, marketplace por marketplace, quanto sobra depois das taxas — pra você fixar o preço da Shopee, do Mercado Livre e da Etsy com a mordida de cada um já descontada. Quando o preço da argila subir, você troca num lugar só e todos os preços se ajustam.

Seu trabalho à mão vale. A caneca que você levou duas horas pra fazer não é um "hobbyzinho" — é habilidade que pouca gente tem. O que faltava não era esforço, era a conta certa por trás do preço.

Pare de chutar. Comece a calcular. Teste a calculadora gratuita do CrafterBy e descubra seu preço real por marketplace — precifique com confiança (link na bio).

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