Preço com nota: quanto sobe sua caneca de cerâmica?

Fiscal e MEI · 6 min de leitura · por Roger

Preço com nota: quanto sobe sua caneca de cerâmica?

"Se eu passar a dar nota, vai sobrar quanto de cada peça?" Essa é a conta que tira o sono de quem faz cerâmica e vende no Instagram, na feira ou no marketplace. A gente imagina a nota como uma mordida invisível: um pedaço da caneca que some toda vez que a venda é registrada. E aí vem o receio de novembro.

Respira. A nota não precisa virar dor de cabeça — e, na maioria dos casos, ela mexe muito menos no seu preço do que o medo diz. Neste post eu coloco número na mesa: pego uma caneca de cerâmica, monto o custo real dela e mostro, em reais, o quanto a nota "sobe" no preço. Spoiler honesto: costuma ser centavos, não uma fatia grande. Antes de tudo, o combinado de sempre — os valores e regras fiscais você confirma com o seu contador e no portal do seu município, porque cada cidade tem sua particularidade.

Canecas de cerâmica esmaltadas sobre uma bancada de microcimento bege, ao lado de um celular com um orçamento na tela e um bloco de anotações

O que muda para o MEI em novembro

A data é firme: a partir de 1º de novembro de 2026, a emissão de NFS-e passa a ser obrigatória para o MEI em todo o país. Na prática, o que muda é que a nota deixa de ser "quando o cliente pede" e passa a ser parte do fluxo normal da venda.

O ponto que quase ninguém explica direito, e que muda tudo na sua conta: o MEI não paga imposto por nota. O que o MEI paga é o DAS, um valor fixo por mês, independentemente de quantas canecas você vendeu ou de quantas notas emitiu. Esse valor fica na casa de poucas dezenas de reais mensais e varia conforme a sua atividade (confirme o valor do ano com o seu contador). Ou seja: a nota documenta a venda, ela não cria um percentual novo que come cada peça.

Duas coisas para checar com o contador, sem juridiquês: (1) se a sua atividade emite NFS-e (serviço, como peça sob encomenda/personalizada) ou outro modelo de nota para produto — depende do que você faz e do seu município; (2) se o seu faturamento está dentro do teto do MEI (na faixa de R$ 81 mil por ano, algo perto de R$ 6.750 por mês). Enquanto você estiver dentro do teto e com o DAS em dia, emitir a nota não muda o imposto que você já paga.

Sua conta regressiva

Faltam poucas semanas. Dá para chegar em 1º de novembro tranquilo se você fizer, uma coisa por semana:

  • Esta semana: fale com seu contador e confirme qual nota a sua atividade emite e em qual portal (muitos municípios já usam o emissor nacional). Anote login e senha num lugar seguro.
  • Semana que vem: emita uma nota de teste de uma venda pequena. Só para tirar o susto do primeiro clique.
  • Depois: revise o preço das suas peças com o custo real na frente — é aqui que a CrafterBy entra.
  • Reta final: decida como vai entregar a nota ao cliente (link, PDF, QR) em cada canal de venda.

Cada passo é pequeno. Junto, eles tiram o "bicho de sete cabeças" da história.

Preço já com a nota: a conta da caneca

Vamos ao número real. Peguei uma caneca de cerâmica esmaltada, feita sob encomenda, e montei o custo do jeito que a CrafterBy calcula — camada por camada:

  • Material com desperdício: argila e esmalte custam cerca de R$ 6,00. Como sempre há perda (peça que racha, esmalte que sobra), aplico um fator de desperdício de 15% → R$ 6,90.
  • Queima: o forno é o vilão silencioso da cerâmica. Rateando a energia da fornada pelas peças que cabem nela, dá cerca de R$ 4,00 por caneca.
  • Mão de obra: modelar, aparar, esmaltar e acabar leva uns 40 minutos. A R$ 25 por hora do seu trabalho, são R$ 16,70.
  • Embalagem: caixa, papel e proteção para não quebrar no envio → R$ 3,00.
  • Custos fixos rateados: aluguel do cantinho, luz fora do forno, internet e o DAS entram aqui, divididos pela sua produção do mês. Dá algo como R$ 4,70 por caneca — e, desse total, a parte do DAS é de mais ou menos R$ 1,00.

Custo real: por volta de R$ 35,30. Aplicando a margem que faz o negócio se sustentar, a caneca sai na faixa de R$ 60.

Mãos de ceramista segurando uma caneca ainda crua sobre a bancada, ao lado de blocos de argila e potes de esmalte, com o forno ao fundo

Agora a pergunta do título: quanto a nota sobe nesse preço? A parte do DAS na sua caneca é aquele R$ 1,00. Se você já colocava seus custos fixos no cálculo, a nota sobe zero — o imposto já estava lá. Se você não rateava o DAS, passar a incluí-lo sobe cerca de R$ 1,00 numa caneca de R$ 60. É isso. Não é 10%, não é 15%, não é a mordida que o medo desenhou.

É por isso que a CrafterBy amarra a nota ao preço no mesmo lugar: você monta o custo real da peça, vê a margem por peça e emite a NFS-e a partir do mesmo orçamento — a nota nasce do preço, não de uma segunda planilha. Sem digitar duas vezes, sem descobrir no fim do mês que esqueceu de contar a queima.

Nota por canal: por que a margem muda

A nota é a mesma em qualquer lugar. O que muda a sua margem é o canal, por causa da taxa de cada um:

  • WhatsApp / venda direta: com Pix, a taxa é quase zero. É onde sua caneca de R$ 60 rende mais. Aqui a nota vai como link ou PDF, na hora.
  • Nuvemshop (loja própria): você paga o gateway de pagamento (algo na faixa de 4% a 5%), mas não uma comissão de marketplace. Margem boa.
  • Mercado Livre e Shopee: a comissão do marketplace é bem maior (pode passar de 12% a 20% conforme categoria e frete). A mesma caneca de R$ 60 te devolve bem menos — e não é a nota que come isso, é a comissão.

O erro clássico é ter um preço só para todos os canais. Com a análise de margem por canal da CrafterBy, você vê quanto sobra em cada um e decide: cobrar um pouco mais no marketplace, ou reservar o preço cheio para a venda direta. A nota entra igual nos quatro; a decisão inteligente é sobre onde e por quanto vender.

Chega de adivinhar

A nota não é o monstro da história — a falta de preço certo é. Se a sua caneca já está calculada com material, queima, mão de obra, custos fixos e a sua margem, novembro chega e não muda quase nada. Faça a conta da sua peça na calculadora da CrafterBy, veja a margem por canal e emita a NFS-e do mesmo orçamento. E, claro: confirme os valores e o modelo de nota com o seu contador e no portal do seu município. Você faz a peça bonita — deixa a matemática (e a nota) com a gente.

Uma caneca de cerâmica embalada numa caixa de envio, ao lado de uma maquininha de cartão e um celular sobre a bancada

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *