Fim do teto de R$100 na Shopee: sua peça cara pesa mais

precificacao · 6 min de leitura · por Roger

Fim do teto de R$100 na Shopee: sua peça cara pesa mais

Você vendia sua peça mais caprichada — a bolsa de couro, o colar de prata, a manta de crochê king — por R$1.200, e a Shopee levava R$100 de comissão. Só isso. Não importava se a peça saía por R$1.200 ou por R$3.000: a comissão percentual tinha um teto de R$100 por item. Era o limite que, sem ninguém falar em voz alta, protegia justamente quem faz trabalho de valor mais alto.

Esse teto acabou. Desde março de 2026 a Shopee cobra por faixa de preço e a comissão agora sobe junto com o valor da peça, sem parar em R$100. Para quem vende quinquilharia barata, mudou pouco. Para quem faz a peça cara — aquela que levou horas, materiais bons e anos de técnica na mão — a conta ficou bem mais pesada. E o pior: o preço na tela continua o mesmo, então dá pra passar meses sem perceber que sobra menos.

Bolsa de couro feita à mão sobre a bancada, ao lado de um celular com um anúncio de marketplace, uma caixinha de envio e moedas

O que exatamente mudou

Antes, a comissão tinha um teto: por mais cara que fosse a peça, o percentual nunca ultrapassava R$100 por item. Uma bolsa de R$1.200 pagava os mesmos R$100 que uma de R$3.000. Agora a Shopee cobra por faixas, mais ou menos assim: item entre R$8 e R$79,99 paga 20% + R$4 fixo; entre R$80 e R$99,99, 14% + R$16; de R$100 a R$199,99, 14% + R$20; e acima de R$200, 14% + R$26 fixo. Sem teto.

Repara no detalhe: na faixa mais alta o percentual até caiu para 14%, mas ele agora é aplicado sobre o valor cheio, sem trava. Quatorze por cento de R$1.200 já são R$168. Some os R$26 fixos e você tem R$194 de comissão numa venda que, meses atrás, custava R$100. Quase o dobro, na mesma peça, pelo mesmo preço.

A conta cheia, com número de verdade

Vamos pegar a bolsa de couro de R$1.200 e fazer a conta que o app não faz por você.

Primeiro, o custo real de produzir a bolsa:

  • Materiais com fator de desperdício (couro, ferragens, linha encerada): R$280
  • Sua mão de obra — 6 horas a R$30/h: R$180
  • Embalagem (caixa, papel, etiqueta): R$14
  • Custos fixos rateados (energia, ferramenta, internet): R$16

Custo real da peça: R$490.

Agora as taxas sobre a venda de R$1.200, no tempo do teto:

  • Comissão: R$100 (o teto)
  • Imposto sobre a venda, ~6%: R$72

Repasse: 1.200 − 100 − 72 = R$1.028. Tira o custo de R$490 e sobra R$538 de lucro.

Mesma bolsa, mesmo R$1.200, na regra nova:

  • Comissão (14% + R$26): R$194
  • Imposto ~6%: R$72

Repasse: 1.200 − 194 − 72 = R$934. Tira os R$490 e sobra R$444 de lucro.

Você não mudou nada — nem o preço, nem o material, nem o tempo de trabalho — e R$94 sumiram da sua peça mais bem-feita. Em margem, caiu de 45% para 37% do preço de venda. (Margem é lucro dividido pelo preço; markup é o quanto você multiplicou em cima do custo. Não são a mesma coisa, e confundir os dois é meio caminho pro prejuízo.)

Mãos costurando à mão uma peça de couro com agulha e linha encerada, ferramentas ao lado na bancada

Então é pra parar de vender peça cara na Shopee?

Não. É pra reprecificar de olhos abertos. O reflexo de muita gente é o contrário: "peça cara vende pouco, esses R$94 não fazem diferença". Fazem, e muito — porque é exatamente a sua peça de maior valor, a que exige mais técnica e mais horas, a que carrega a sua assinatura. Um vazamento de R$94 na bolsa de couro dói mais do que alguns centavos num chaveiro de R$15. É lucro do seu trabalho mais difícil indo embora calado.

Se você quiser continuar levando os mesmos R$538 para casa, precisa subir o preço da bolsa para cerca de R$1.320 — uns R$120 a mais na etiqueta para cobrir a comissão que agora escala. Não é chute: é a conta de trás pra frente. Você parte do lucro que quer, soma custo real, soma as taxas da nova faixa e chega no preço. O que você não pode fazer é aumentar no olhômetro, arredondar pra R$1.250 e torcer.

O passo a passo pra acertar

  1. Calcule o custo real primeiro. Materiais com fator de desperdício e unidade certa (o couro que você compra em metro quadrado e usa em pedaço; a cera vendida em quilo e usada em grama). Depois a sua hora de trabalho — sim, ela entra, sempre. Por fim, o rateio dos custos fixos.
  2. Só então some as taxas da plataforma. Descubra em qual faixa a sua peça cai na Shopee e aplique o percentual + o fixo daquela faixa. Sem teto pra te salvar.
  3. Feche pela margem que você quer, não pelo preço do concorrente. Preço de trás pra frente: lucro desejado + custo + taxas = preço de venda.

Os erros que custam caro

O primeiro é precificar igual em todas as plataformas. A comissão da Shopee acima de R$200 é 14% + R$26; no Mercado Livre e na Etsy a matemática é outra. A mesma bolsa de R$1.200 com o mesmo preço rende valores diferentes de lucro em cada uma. Preço único é conforto seu e prejuízo em pelo menos uma delas.

O segundo é esquecer o que ainda vem por cima: o programa de frete grátis que sai do seu bolso, o cupom da campanha relâmpago, a taxa de parcelamento. A comissão de R$194 do exemplo é só o começo — se você entrar num frete grátis e num cupom de 10%, aquele lucro de R$444 encolhe mais um tanto.

O terceiro é não cobrar a mão de obra. Aqueles R$180 de seis horas de trabalho não são lucro — são salário. Quem não coloca a própria hora na conta acha que está lucrando quando, na verdade, está trabalhando de graça e chamando isso de venda.

Três peças artesanais de valor crescente, cada uma ao lado de uma pilha de moedas cada vez mais alta, na bancada

Sua peça cara merece uma conta à altura

O fim do teto não foi um recado só pra grande vendedor — foi um recado pra quem faz artesanato de valor. A boa notícia é que a solução é a mesma de sempre: saber o número exato antes de anunciar.

É isso que o CrafterBy faz por você. A biblioteca de materiais já guarda o desperdício e faz a conversão de unidade (o couro por metro, a cera por grama), a calculadora soma a sua hora de trabalho e os custos fixos, os templates deixam a bolsa e o colar prontos pra reusar, e a análise de margem já considera a comissão de cada marketplace — a nova faixa da Shopee inclusive. Você vê, na hora, quanto sobra de verdade em cada plataforma.

Sua peça mais bem-feita não pode ser a que te dá mais prejuízo. Pare de chutar. Comece a calcular.

Teste a calculadora gratuita do CrafterBy e descubra seu preço real por marketplace — precifique com confiança (link na bio).

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