Fim do teto de R$100 na Shopee: sua peça cara pesa mais
Você vendia sua peça mais caprichada — a bolsa de couro, o colar de prata, a manta de crochê king — por R$1.200, e a Shopee levava R$100 de comissão. Só isso. Não importava se a peça saía por R$1.200 ou por R$3.000: a comissão percentual tinha um teto de R$100 por item. Era o limite que, sem ninguém falar em voz alta, protegia justamente quem faz trabalho de valor mais alto.
Esse teto acabou. Desde março de 2026 a Shopee cobra por faixa de preço e a comissão agora sobe junto com o valor da peça, sem parar em R$100. Para quem vende quinquilharia barata, mudou pouco. Para quem faz a peça cara — aquela que levou horas, materiais bons e anos de técnica na mão — a conta ficou bem mais pesada. E o pior: o preço na tela continua o mesmo, então dá pra passar meses sem perceber que sobra menos.

O que exatamente mudou
Antes, a comissão tinha um teto: por mais cara que fosse a peça, o percentual nunca ultrapassava R$100 por item. Uma bolsa de R$1.200 pagava os mesmos R$100 que uma de R$3.000. Agora a Shopee cobra por faixas, mais ou menos assim: item entre R$8 e R$79,99 paga 20% + R$4 fixo; entre R$80 e R$99,99, 14% + R$16; de R$100 a R$199,99, 14% + R$20; e acima de R$200, 14% + R$26 fixo. Sem teto.
Repara no detalhe: na faixa mais alta o percentual até caiu para 14%, mas ele agora é aplicado sobre o valor cheio, sem trava. Quatorze por cento de R$1.200 já são R$168. Some os R$26 fixos e você tem R$194 de comissão numa venda que, meses atrás, custava R$100. Quase o dobro, na mesma peça, pelo mesmo preço.
A conta cheia, com número de verdade
Vamos pegar a bolsa de couro de R$1.200 e fazer a conta que o app não faz por você.
Primeiro, o custo real de produzir a bolsa:
- Materiais com fator de desperdício (couro, ferragens, linha encerada): R$280
- Sua mão de obra — 6 horas a R$30/h: R$180
- Embalagem (caixa, papel, etiqueta): R$14
- Custos fixos rateados (energia, ferramenta, internet): R$16
Custo real da peça: R$490.
Agora as taxas sobre a venda de R$1.200, no tempo do teto:
- Comissão: R$100 (o teto)
- Imposto sobre a venda, ~6%: R$72
Repasse: 1.200 − 100 − 72 = R$1.028. Tira o custo de R$490 e sobra R$538 de lucro.
Mesma bolsa, mesmo R$1.200, na regra nova:
- Comissão (14% + R$26): R$194
- Imposto ~6%: R$72
Repasse: 1.200 − 194 − 72 = R$934. Tira os R$490 e sobra R$444 de lucro.
Você não mudou nada — nem o preço, nem o material, nem o tempo de trabalho — e R$94 sumiram da sua peça mais bem-feita. Em margem, caiu de 45% para 37% do preço de venda. (Margem é lucro dividido pelo preço; markup é o quanto você multiplicou em cima do custo. Não são a mesma coisa, e confundir os dois é meio caminho pro prejuízo.)

Então é pra parar de vender peça cara na Shopee?
Não. É pra reprecificar de olhos abertos. O reflexo de muita gente é o contrário: "peça cara vende pouco, esses R$94 não fazem diferença". Fazem, e muito — porque é exatamente a sua peça de maior valor, a que exige mais técnica e mais horas, a que carrega a sua assinatura. Um vazamento de R$94 na bolsa de couro dói mais do que alguns centavos num chaveiro de R$15. É lucro do seu trabalho mais difícil indo embora calado.
Se você quiser continuar levando os mesmos R$538 para casa, precisa subir o preço da bolsa para cerca de R$1.320 — uns R$120 a mais na etiqueta para cobrir a comissão que agora escala. Não é chute: é a conta de trás pra frente. Você parte do lucro que quer, soma custo real, soma as taxas da nova faixa e chega no preço. O que você não pode fazer é aumentar no olhômetro, arredondar pra R$1.250 e torcer.
O passo a passo pra acertar
- Calcule o custo real primeiro. Materiais com fator de desperdício e unidade certa (o couro que você compra em metro quadrado e usa em pedaço; a cera vendida em quilo e usada em grama). Depois a sua hora de trabalho — sim, ela entra, sempre. Por fim, o rateio dos custos fixos.
- Só então some as taxas da plataforma. Descubra em qual faixa a sua peça cai na Shopee e aplique o percentual + o fixo daquela faixa. Sem teto pra te salvar.
- Feche pela margem que você quer, não pelo preço do concorrente. Preço de trás pra frente: lucro desejado + custo + taxas = preço de venda.
Os erros que custam caro
O primeiro é precificar igual em todas as plataformas. A comissão da Shopee acima de R$200 é 14% + R$26; no Mercado Livre e na Etsy a matemática é outra. A mesma bolsa de R$1.200 com o mesmo preço rende valores diferentes de lucro em cada uma. Preço único é conforto seu e prejuízo em pelo menos uma delas.
O segundo é esquecer o que ainda vem por cima: o programa de frete grátis que sai do seu bolso, o cupom da campanha relâmpago, a taxa de parcelamento. A comissão de R$194 do exemplo é só o começo — se você entrar num frete grátis e num cupom de 10%, aquele lucro de R$444 encolhe mais um tanto.
O terceiro é não cobrar a mão de obra. Aqueles R$180 de seis horas de trabalho não são lucro — são salário. Quem não coloca a própria hora na conta acha que está lucrando quando, na verdade, está trabalhando de graça e chamando isso de venda.

Sua peça cara merece uma conta à altura
O fim do teto não foi um recado só pra grande vendedor — foi um recado pra quem faz artesanato de valor. A boa notícia é que a solução é a mesma de sempre: saber o número exato antes de anunciar.
É isso que o CrafterBy faz por você. A biblioteca de materiais já guarda o desperdício e faz a conversão de unidade (o couro por metro, a cera por grama), a calculadora soma a sua hora de trabalho e os custos fixos, os templates deixam a bolsa e o colar prontos pra reusar, e a análise de margem já considera a comissão de cada marketplace — a nova faixa da Shopee inclusive. Você vê, na hora, quanto sobra de verdade em cada plataforma.
Sua peça mais bem-feita não pode ser a que te dá mais prejuízo. Pare de chutar. Comece a calcular.
Teste a calculadora gratuita do CrafterBy e descubra seu preço real por marketplace — precifique com confiança (link na bio).