Lote de 12 velas, só 10 vendáveis: divida certo

Precificação · 6 min de leitura · por Roger

Você despejou 12 velas. No dia seguinte, quando o vidro esfriou, duas te decepcionaram: uma afundou no meio, com aquela cratera clássica, e a outra rachou o vidro na hora do choque térmico. Sobraram 10 para vender. Aí vem a pergunta que quase ninguém para para responder direito: na hora de calcular o custo, você divide o gasto do lote por 12 ou por 10?

A maioria divide por 12. É o número que saiu da panela, o número que dá menos "medo" no preço. E é exatamente aí que o lucro escorre pelo ralo, silencioso, lote após lote.

Um lote recém-despejado de velas de soja esfriando na bancada, com duas velas à frente mostrando afundamento e uma rachadura no vidro

Consumo do lote não é o mesmo que unidades vendáveis

Existe uma diferença que muda tudo: o que o lote consumiu e o que o lote entregou. O lote consumiu cera, essência, potes, pavios, corante, energia e — principalmente — o seu tempo, para produzir 12 velas. Mas ele só entregou 10 unidades vendáveis. As duas que falharam gastaram material e minutos iguais às boas; elas só não viraram dinheiro.

Quando você divide o custo total por 12, está fingindo que aquelas duas ainda vão pagar a parte delas. Não vão. Quem paga a conta das falhas são as 10 que sobraram — ou você, do seu bolso, sem perceber. Dividir por 10 não é "encarecer a vela". É parar de esconder um custo que já aconteceu.

A conta aberta, com as premissas na mesa

Vou usar números ilustrativos, com as premissas visíveis, para você repetir com os seus.

Suponha um lote de 12 velas em que as duas que falharam foram perda total: uma rachou o vidro e a outra afundou feio demais para reaproveitar. Cada uma dessas duas levou embora, mais ou menos, o conjunto de vidro (pote + tampa + pavio + etiqueta, R$ 14) somado à cera (R$ 6) e à essência (R$ 3,20) — cerca de R$ 23 por vela perdida. Duas velas: R$ 46 de material que virou lixo.

Esses R$ 46 não somem. Eles precisam ser distribuídos entre as 10 velas que você vai realmente vender: R$ 46 ÷ 10 = R$ 4,60 por vela. Ou seja, cada vela boa carrega quase cinco reais de "prejuízo das irmãs" que ninguém colocou na conta.

Agora repare no exemplo da própria página de custo de velas da CrafterBy. Lá, o custo total de R$ 39 é montado por parcelas, e uma delas se chama exatamente "Perdas previstas por unidade — R$ 1,30". Esse R$ 1,30 é a versão embutida, por unidade, dessa mesma ideia de lote versus vendáveis. E aqui vem a parte honesta: R$ 1,30 pressupõe um índice de falha baixo, de ateliê já ajustado — algo como uma vela problemática a cada vinte, não duas a cada doze. Se a sua realidade ainda é 2 em 12, a sua perda por unidade não é R$ 1,30: é várias vezes isso. O número da página é um exemplo; o número real é o que a sua bancada mede.

E um cuidado importante: R$ 39 é o custo de produção desse exemplo específico. Não é "custo médio" de toda vela, e não inclui taxa de venda. O R$ 65 sugerido é preço, não margem. Não misture as camadas.

Mãos separando velas prontas em dois grupos na bancada: as de topo liso para vender e as com defeito de lado

"Mas eu retrabalho as que afundam"

Essa é a objeção justa, e ela tem razão parcial. Sim, várias falhas se recuperam: um afundamento leve você corrige com um sopro de calor na superfície, e a cera de uma vela que não firmou às vezes volta para a panela. O vidro rachado, esse não volta.

Só que "recuperar" não é de graça. Toda vela retrabalhada consome mais minutos de trabalho ativo — reaquecer, redespejar, esperar de novo, conferir de novo. Você não eliminou o custo; você o mudou de lugar. Saiu da linha "perdas de material" e entrou na linha "tempo de trabalho". Se a página conta seu trabalho ativo como 16 minutos a R$ 30/h = R$ 8, cada retrabalho estica esse tempo e, portanto, esse valor. Além disso, vela remexida às vezes queima pior — afunda de novo, solta menos aroma — e volta para a pilha de rejeitadas. A perda tem que pousar em algum lugar do preço. A pergunta não é se você paga por ela, é onde ela aparece.

Cura e espera não são trabalho ativo

Enquanto separamos os custos, separe também os tempos. As velas de soja pedem uma cura de uma a duas semanas antes de queimarem bem. Esse tempo é espera, não trabalho ativo. Não infle a linha de R$ 30/h com os dias de cura — você não está trabalhando enquanto a vela descansa na prateleira.

Mas a cura tem outro efeito, e ele importa agora, a pouco mais de três meses do Natal: a vela curando é estoque parado, dinheiro que já saiu e ainda não voltou. Quem começa a produção de Natal tarde é atropelado justamente pela cura. Isso não é uma linha de custo de mão de obra; é uma questão de fluxo e de calendário. Mantenha as duas coisas em caixas separadas na sua cabeça: minutos ativos entram no custo por vela; semanas de cura entram no seu planejamento de estoque.

Varejo e encomenda, sem multiplicador mágico

O custo de produção por vela vendável — dividido por 10, com a perda dentro — é o mesmo ponto de partida seja para a prateleira da feira, seja para a encomenda fechada. O que muda entre os canais não é multiplicar o custo por um número maior. O que muda são as despesas de cada venda e o risco de sobra.

Na venda por encomenda, você produz sob medida: o risco de vela encalhada é menor, e talvez o seu índice de perda também. No varejo de estoque, você produz na esperança de vender, e parte do lote pode envelhecer na prateleira — isso é um custo real, só que de outra natureza. Ajuste o preço por essas diferenças concretas, não por um "x3" tirado do ar.

Não conte a taxa de venda duas vezes

Por fim, o erro gêmeo: jogar a taxa do marketplace e o frete da postagem dentro do custo de produção. Não faça isso. O custo de produção responde a uma pergunta — "quanto custou fabricar uma vela vendável?". As despesas de venda respondem a outra — "quanto custou vender essa vela por este canal?". São baldes separados. Se você embute a taxa no custo e desconta a taxa de novo na hora da venda, contou duas vezes e se enganou. O frete de compra dos insumos, esse sim entra rateado na produção; o frete da venda fica do lado de fora.

Os insumos que um lote consome, dispostos na bancada: flocos de cera de soja, um vidro âmbar de essência, potes vazios com tampa, carretéis de pavio e um prato de corante

O passo prático

Pare de dividir de cabeça e no otimismo. Anote, do próximo lote, duas coisas: quantas velas você produziu e quantas ficaram realmente vendáveis. Essa razão é o seu índice de perda real — e é ela que vira a linha "perdas por unidade" do seu preço, com número seu, não com chute.

Na CrafterBy dá para fazer isso sem planilha e sem quebra-cabeça. Crie sua conta, escolha o plano Grátis e salve uma vela de verdade: lance cera, essência, o conjunto de pote, o corante, a embalagem, os seus minutos de trabalho ativo e a perda medida do lote. A calculadora abre parcela por parcela — exatamente as contas que os guias de multiplicador deixam de fora — e mostra o custo por unidade vendável, não por unidade despejada. É uma peça salva, com o custo calculado; a diferença entre dividir por 12 e dividir por 10 aparece na sua frente, em reais.

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