Quanto aumentar o preço pra cobrir a comissão da Shopee (tabela 2026)
Você anunciou a peça por R$56 achando que estava tranquilo: dava pra pagar o material, a mão de obra e ainda cobrir a comissão da Shopee. Vendeu. Aí o dinheiro caiu na conta e eram R$37,80. Menos do que você gastou pra fazer. Você não vendeu — você pagou pra entregar.
Se isso já aconteceu com você, o problema quase nunca é o seu produto. É a conta. E é uma conta que quase todo mundo faz errado, porque a comissão da Shopee não se cobre do jeito que parece óbvio.

A tabela mudou em 2026 — e muita gente ainda calcula com a antiga
Desde março de 2026 a Shopee não tem mais aquele teto de R$105 por item, e a comissão virou uma escadinha por faixa de preço, com uma taxa fixa somada por cima:
- Item até R$79,99: 20% + R$4
- De R$80 a R$99,99: 14% + R$16
- De R$100 a R$199,99: 14% + R$20
- R$200 ou mais: 14% + R$26
Ainda tem dois detalhes que somem na hora de calcular: quem vende como CPF paga R$3 a mais por item (CNPJ não paga esse extra), e o frete grátis é embutido e obrigatório — parte dele sai do seu bolso conforme sua reputação. Ou seja: aquele "frete grátis" que atrai o cliente é, em boa parte, um desconto que você está dando sem perceber.
Por que somar 20% não cobre uma comissão de 20%
Aqui mora o erro que faz o dinheiro sumir. A comissão de 20% é uma fatia do preço de venda. Quando você "adiciona 20%" ao seu custo, você está aplicando um markup de 20% sobre o custo — que é outra base, outro número.
Repare na diferença, porque ela vale dinheiro:
- Markup é quanto você multiplica em cima do custo.
- Margem (e a comissão funciona como uma margem) é uma fatia do preço de venda.
Recuperar uma fatia de 20% do preço não é multiplicar por 1,20. É dividir por 0,80. Parece detalhe, mas muda tudo.
Vamos ao número. Digamos que você precisa que sobrem R$55 líquidos pra pagar seu custo e ter lucro. Na faixa até R$79,99 (20% + R$4, mais R$3 de CPF, então R$7 de taxa fixa), a conta certa é:
Preço = (líquido que você quer + taxa fixa) ÷ (1 − comissão em decimal)
Preço = (55 + 7) ÷ (1 − 0,20) = 62 ÷ 0,80 = R$77,50
Confere: 20% de R$77,50 são R$15,50, mais R$4 fixos, mais R$3 do CPF = R$22,50 de taxa. R$77,50 − R$22,50 = R$55 no bolso. Certinho.
Agora veja o preço "óbvio" que a maioria coloca. Custo de R$40, markup de 40%, dá R$56. Vende por R$56 e recebe: R$56 − (20% + R$4 + R$3) = R$56 − R$18,20 = R$37,80. Abaixo do custo. Prejuízo de R$2,20 por peça — vendendo bem, prejuízo garantido.
A diferença entre R$56 e R$77,50 não é ganância. É a conta funcionando de verdade.

Faça o custo real primeiro. A comissão vem depois.
Antes de dividir por 0,80, você precisa saber quanto a peça realmente custa. Não é o preço do novelo. É:
- Material com desperdício e conversão de unidade. Você compra o fio em novelo de 100g mas usa 60g? Some as sobras, os retalhos, o fio que não deu certo. Na nossa necessaire de crochê, o material real (fio + zíper + forro) fica em torno de R$12, não os R$8 do "só o novelo".
- Sua hora de trabalho. 1h30 a R$22/h = R$33 — ah, mas se você não cobra sua mão de obra, você não tem um negócio, tem um hobby que dá prejuízo. Cobre.
- Custos fixos rateados. Energia, agulhas, aquele cantinho do ateliê: uns R$4 por peça.
- Embalagem de envio. Caixa, plástico, etiqueta: mais R$4 que quase todo mundo esquece.
Só depois de fechar o custo real você aplica a fórmula da comissão. Custo primeiro, taxa da plataforma depois. Nunca o contrário.
A armadilha da faixa de R$80
Essa quase ninguém enxerga. Olhe o que acontece quando o preço passa de R$79,99 pra faixa seguinte, onde a comissão cai pra 14% mas a taxa fixa salta de R$4 pra R$16:
- Vendendo a R$79: taxa = 20% × 79 + R$4 + R$3 = R$22,80 → sobram R$56,20.
- Vendendo a R$85: taxa = 14% × 85 + R$16 + R$3 = R$30,90 → sobram R$54,10.
Você subiu o preço em R$6 e levou R$2,10 a menos pra casa. A faixa entre R$80 e uns R$88 é uma zona morta: você fatura mais e recebe menos, por causa do salto da taxa fixa. Só a partir de mais ou menos R$88 o líquido volta a ficar maior que o de R$79. A regra prática: se o seu preço cair nessa zona, ou volte pra R$79 ou suba de vez pra R$90+.

Os erros que zeram a margem sem você ver
- Esquecer o frete grátis embutido. Ele não é do cliente — sai da sua reputação e do seu bolso. Trate como custo.
- Não cobrar a mão de obra. É a conta mais fácil de "esquecer" e a que mais dói.
- Precificar igual em todas as plataformas. Shopee, Mercado Livre e Etsy têm comissões e taxas fixas diferentes. Preço único é prejuízo em pelo menos uma delas.
- Usar a tabela antiga. O teto de R$105 acabou e o CPF paga R$3 a mais. Se sua conta é de 2024, ela está errada.
- Dar cupom em cima do preço apertado. Na Semana do Cliente (13 a 19/09) o cupom de 15% sai do seu líquido, não do preço cheio. Recalcule antes de aceitar.
Pare de chutar. Comece a calcular.
Fazer essa conta uma vez, no papel, é chato. Fazer pra cada peça, em três plataformas, com faixa de comissão, taxa fixa, CPF, embalagem e cupom — é aí que todo mundo desiste e volta a chutar.
É exatamente isso que o CrafterBy resolve: você cadastra seus materiais uma vez (com fator de desperdício e conversão de unidade), monta a peça como um template reutilizável, coloca sua hora de trabalho e seus custos fixos, e a análise de margem já mostra quanto você precisa cobrar em cada marketplace pra sobrar o lucro que você decidiu ter — não o que sobrou por acaso.
Seu trabalho feito à mão vale. A conta só precisa mostrar isso. Teste a calculadora gratuita do CrafterBy e descubra seu preço real por marketplace — precifique com confiança (link na bio).