Reajuste de preço: faça em outubro, não em novembro

precificacao · 8 min de leitura · por Roger

"Eu sei que preciso subir o preço. A essência subiu, o pote subiu, a Shopee mudou a taxa em março. Mas vou deixar pra depois da Black Friday, porque agora é época de vender."

Se você já pensou isso, não está sozinha. É o raciocínio mais comum de quem vende à mão em marketplace, e ele parece prudente. Só que ele inverte o calendário: depois da Black Friday já é tarde demais, e durante novembro é o pior momento possível. Quem precisa reajustar pro fim de ano precisa fazer isso em outubro. E outubro já começou.

Vou explicar por quê, com conta de verdade.

A conta que ninguém quer fazer em outubro

Vamos pegar uma vela aromática em pote de vidro, vendida na Shopee por R$45 desde o começo do ano.

Mãos despejando cera de soja derretida em potes de vidro com pavios já posicionados

Quando o preço foi definido, o custo era mais ou menos este:

  • Materiais (cera, essência, pote, pavio, já com a perda de produção): R$11
  • Embalagem: R$3
  • Mão de obra: 20 minutos a R$30 a hora = R$10
  • Custo total: R$24

De lá pra cá, a essência e o pote subiram. Os materiais agora custam R$13. O custo total foi pra R$26.

E a Shopee também mudou. Desde março, a tabela por faixa cobra, de R$8 a R$79,99, 20% + R$4 por item. Numa vela de R$45, isso dá R$9 + R$4 = R$13 de taxa.

O que sobra hoje: R$45 − R$13 − R$26 = R$6 por vela.

Já é pouco. Agora imagina o 11.11, a maior campanha da Shopee, com um cupom de 15% bancado por você. A vela sai por R$38,25. A taxa cai um pouco, pra R$7,65 + R$4 = R$11,65. Mas o custo continua R$26.

R$38,25 − R$11,65 − R$26 = R$0,60.

Sessenta centavos. Vinte minutos do seu trabalho, um pote de vidro e uma caixinha embalada com carinho, e você entrega a vela praticamente de graça no pico de vendas do ano. Se você é MEI, o DAS é fixo e não muda essa conta por venda. Se está no Simples, ainda tem o imposto por cima, e aí a vela dá prejuízo.

Ninguém aqui errou por maldade. O preço estava certo em janeiro. O mundo mudou em volta dele.

O preço que aguenta o cupom

A pergunta certa não é "quanto eu cobro?", e sim "quanto eu cobro pra que, mesmo com o maior desconto que vou dar no fim de ano, ainda sobre o que eu quero?".

Digamos que você quer que sobrem R$10 por vela mesmo no dia do cupom de 15%. Fazendo a conta de trás pra frente (custo de R$26, taxa de 20% + R$4 sobre o valor com desconto), o preço de tabela fica em R$59:

  • Com cupom de 15%: a vela sai por R$50,15, a taxa é R$14,03 e sobram R$10,12.
  • Sem cupom, no resto do ano: a taxa é R$15,80 e sobram R$17,20.

Balança digital de cozinha pesando flocos de cera de soja, com frasco de essência, pavios e potes de vidro ao lado

Um parêntese rápido, porque essa confusão custa caro. Ir de R$26 de custo pra R$59 de preço é um markup de cerca de 2,27 vezes. Isso não quer dizer que você "lucra 127%". A margem, que é o que sobra dividido pelo preço, fica em uns 29% sem cupom e uns 20% com cupom. O markup multiplica o custo. A margem mostra quanto do preço fica com você. Quem confunde os dois acha que está ganhando bem quando não está.

Até aqui, nada de novo: é só fazer a conta. O ponto deste artigo é quando subir de R$45 pra R$59.

Por que novembro é o pior mês pra subir preço

1. O preço de outubro vira a régua do desconto de novembro

Todo ano a mesma história volta: a loja sobe o preço no começo de novembro e, na Black Friday, anuncia "de R$59 por R$50". Pro cliente que viu a vela por R$45 três semanas antes, isso é a famosa "Black Friday da metade do dobro". O Código de Defesa do Consumidor trata isso como publicidade enganosa. Os Procons costumam acompanhar os preços justamente em outubro, montando o histórico pra comparar com o que aparece de "desconto" em novembro. E hoje qualquer comprador encontra o histórico de preço de um anúncio em poucos cliques.

Você não estava tentando enganar ninguém. Estava só corrigindo um preço defasado. Mas, vista de fora, a sequência é idêntica à de quem engana. O que conta é a data em que a mudança aparece, não a sua intenção.

2. A plataforma também olha o calendário

No fim de 2025, entre 27 de outubro e 1º de dezembro, o Mercado Livre aplicou uma política de paridade que reduzia a visibilidade de quem cobrava mais caro que em outros canais. A regra de 2026 ainda não foi confirmada, e eu não vou fingir que sei qual será. Mas o padrão é claro: no fim do ano, as plataformas apertam a fiscalização de preço e desconto. Em geral, as campanhas calculam o desconto sobre um preço já praticado, não sobre o preço que você colocou ontem. Antes de cada campanha, confira a regra no painel do vendedor. O recado, porém, é o mesmo: mexer no preço em cima da campanha é pedir pra perder vitrine bem na hora em que ela mais vale.

3. O cliente de novembro já favoritou o seu produto

Muita gente que compra presente em novembro e dezembro salvou o anúncio semanas antes. Se ela favoritou a vela a R$45 e volta no 11.11 pra encontrar R$59 "com desconto" de R$50, a sensação não é de oferta. É de ter sido passada pra trás. Em outubro o movimento é menor e o cliente ainda está pesquisando. Um preço novo nessa fase é só o preço.

A janela certa: entre 13 e 20 de outubro

O calendário deste ano ajuda:

  • 10/10 (sábado): 10.10 na Shopee.
  • 12/10 (segunda): Dia das Crianças, feriado.
  • 11/11: 11.11, a maior campanha da Shopee.
  • 27/11: Black Friday.

Se você vende lembrancinha, personalizado infantil ou brinquedo, está no pico agora. Não mexa no preço no meio do 10.10. Atravesse o feriado com o preço atual e reajuste na terça, 13 de outubro. Isso deixa quatro semanas até o 11.11 e mais de seis até a Black Friday, tempo suficiente pro preço novo virar o preço praticado de verdade.

Se você não vai entrar no 10.10, não espere: reajuste já.

Depois de reajustar, tire um print da página do anúncio com a data. Se alguém questionar o desconto de novembro, você tem como mostrar que aquele era o seu preço desde outubro. E aí não mexa mais até dezembro.

Caixas de envio em papel kraft com velas em potes de vidro acomodadas em papel picado, prontas para o pico de fim de ano

"Mas e se eu perder vendas?"

É a objeção mais honesta, e merece resposta honesta.

Talvez você perca algumas. Só que a venda de R$0,60 nunca foi lucro. Era o seu trabalho dado de presente com o seu nome na etiqueta. Vender menos peças com R$10 de sobra em cada uma rende mais que vender muitas pra empatar, e ainda sobra hora pra dormir em dezembro.

"Meu concorrente cobra R$45." Pode ser. E pode ser que ele ainda não tenha feito a conta da taxa nova da Shopee. Tem muito guia circulando por aí com a comissão de 2025, sem a taxa fixa por item. Você não precisa copiar o preço de quem pode estar no prejuízo sem saber.

"E se eu subir aos poucos? Um pouco agora, um pouco em novembro?" É exatamente o que não dá pra fazer este ano. O segundo degrau cai em novembro, que é o mês que a gente quer evitar. Se o salto de uma vez parecer grande demais, suba até um preço que aguente o cupom mesmo que sobre menos que o ideal, e deixe o resto do ajuste pra janeiro, quando o calendário volta a ficar calmo.

Passo a passo pra fazer até o dia 20

  1. Atualize o preço de cada material com a última nota de compra, já com a perda de produção (a cera que fica no jarro, o pote que trinca).
  2. Some a sua hora. Mão de obra é custo, não é sobra.
  3. Aplique a tabela de 2026 de cada plataforma. Shopee e Mercado Livre cobram diferente, então o preço também pode ser diferente em cada uma.
  4. Decida qual vai ser o seu maior desconto do fim de ano (cupom, 11.11, Black Friday) e calcule o preço de tabela que aguenta esse desconto.
  5. Mude o preço entre 13 e 20 de outubro, tire o print com a data e não mexa mais até dezembro.

Onde o CrafterBy entra

Fazer essa conta uma vez, num papel, dá. O difícil é refazer pra 30 produtos quando o pote sobe R$1. No CrafterBy, você atualiza o preço da essência ou do pote uma vez na biblioteca de materiais, com a conversão de unidades e o fator de desperdício já configurados, e todos os produtos que usam esse material são recalculados. Os templates reutilizáveis guardam a estrutura de cada peça, e a análise de margem mostra o que sobra de verdade em cada marketplace, já com a comissão e a taxa fixa. Assim você vê em minutos quais produtos precisam de reajuste antes da janela fechar.

Seu trabalho vale o preço de outubro

Corrigir o preço não é ganância. É reconhecer que a vela que você faz com cuidado custa mais hoje do que custava em janeiro. Quem compra feito à mão compra exatamente esse cuidado.

Pare de chutar. Comece a calcular. Teste a calculadora gratuita do CrafterBy, descubra o seu preço real em cada marketplace e entre no fim de ano precificando com confiança. O link está na bio.

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