Kit de embalagem: cadastre uma vez, use em todo ofício

precificacao · 7 min de leitura · por Roger

A caixa kraft que embala o bolo é a mesma que vai com a caneca sublimada. A fita de cetim que fecha o chaveiro de MDF também fecha a peça impressa em 3D. A tag, o adesivo com a sua marca e o papel de seda: todos saem da mesma gaveta. Só que, na hora de fazer o preço, essa gaveta some. No app de confeitaria a embalagem virou "R$ 2,00". Na planilha dos brindes ficou "R$ 1,50". Na calculadora do laser, nada, porque não tinha campo. E na do 3D você digitou um número de cabeça, lá em março.

Se isso soa familiar, não é desleixo. É o que acontece quando cada ofício mora numa ferramenta diferente. A embalagem não é de nenhum ofício, então acaba sem dono.

Um bolinho, uma caneca sublimada, um chaveiro de MDF e um vaso impresso em 3D na frente de uma mesma pilha de caixas kraft, fita, tags e papel de seda

Por que a embalagem é a primeira coisa a se perder

Olha o mapa das ferramentas. Hoje tem uma penca de calculadoras só de impressão 3D, outro tanto de apps feitos só pra quem vende comida e calculadoras próprias pra corte a laser. Costura quase sempre fica na ficha técnica em planilha. Cada uma sabe tudo sobre o seu ofício: gramas de filamento, minutos de laser, rendimento da receita. Nenhuma foi feita pra saber que você tem um item que atravessa todos eles.

Aí a embalagem vira uma linha solta, repetida em quatro lugares. E uma linha repetida em quatro lugares tem três jeitos de dar errado:

  • Ela nasce chutada. "Uns dois reais" é o número mais comum do mundo artesanal, e raramente ele vem de uma conta.
  • Ela envelhece em ritmos diferentes. O pacote de caixas subiu, você atualizou no app do bolo e esqueceu na planilha dos brindes. Agora o mesmo kit tem dois custos.
  • Ela come o limite do plano grátis. Tem app de confeitaria cujo plano gratuito aceita 10 ingredientes. Cadastre caixa, fita, tag, adesivo e papel de seda e metade da cota foi pra coisa que nem é ingrediente.

O princípio: embalagem é um componente, não uma linha

Aqui está a ideia que vale pra qualquer ofício. Tudo que você monta do mesmo jeito e usa em vários produtos (o kit de embalagem, uma ganache base, um conjunto de aviamentos) deve ser custeado uma vez, como uma peça própria, com materiais e mão de obra. Depois ele entra nos produtos como um item só.

Vamos montar o kit de verdade. Os preços abaixo são um exemplo pra mostrar a conta. Troque pelos seus.

| Item | Como você compra | Custo por unidade | Quanto vai no kit | Custo no kit |
|—|—|—|—|—|
| Caixa kraft | pacote com 50 por R$ 95,00 | R$ 1,90 | 1 | R$ 1,90 |
| Fita de cetim | rolo de 50 m por R$ 12,00 | R$ 0,24/m | 60 cm + 10% de perda | R$ 0,16 |
| Tag kraft | pacote com 100 por R$ 18,00 | R$ 0,18 | 1 | R$ 0,18 |
| Adesivo com a marca | cartela de 200 por R$ 40,00 | R$ 0,20 | 1 | R$ 0,20 |
| Papel de seda | 100 folhas por R$ 25,00 | R$ 0,25 | meia folha | R$ 0,13 |

A fita é a que engana. São 60 cm × R$ 0,24 = R$ 0,144. Só que laço sai torto, a ponta desfia, você corta um pedaço a mais "por garantia". Com 10% de perda: R$ 0,144 × 1,10 = R$ 0,158, ou seja, R$ 0,16.

Material do kit: 1,90 + 0,16 + 0,18 + 0,20 + 0,13 = R$ 2,57.

Mãos amarrando um laço de fita de cetim numa caixa kraft, com tag, carretel de fita e retalhos cortados sobre a bancada

Agora a parte que quase ninguém coloca: dobrar a caixa, forrar com o papel, amarrar o laço, colar o adesivo e pendurar a tag leva uns 3 minutos. Se a sua hora vale R$ 20,00, são 3/60 × 20 = R$ 1,00 de mão de obra.

Kit completo: 2,57 + 1,00 = R$ 3,57. O chute era R$ 2,00.

Onde R$ 1,57 dói (e onde não dói)

Vamos ser honestos: nem sempre essa diferença importa.

No bolo, quase não pesa. Digamos um bolo vendido a R$ 120,00 com R$ 55,00 de custo antes da embalagem. Com o chute, o custo vai a R$ 57,00 e sobram R$ 63,00 (52,5% do preço). Com o kit real, o custo vai a R$ 58,57 e sobram R$ 61,43 (51,2%). Pouco mais de um ponto. Ninguém quebra por isso.

No chaveiro, pesa muito. Um chaveiro de MDF com R$ 4,00 de custo, vendido a R$ 10,00. Com o chute: custo R$ 6,00, sobram R$ 4,00, ou 40% do preço. Com o kit real: custo R$ 7,57, sobram R$ 2,43, ou 24,3%. A mesma caixa, a mesma fita, e você perdeu quase 16 pontos de margem.

Agora leva isso pro calendário. Dia das Crianças é 12/10 e Dia do Professor é 15/10. Uma encomenda de 40 chaveiros embalados de lembrancinha deixa 40 × R$ 1,57 = R$ 62,80 na mesa, só na embalagem. E o Natal, daqui a 86 dias, é justamente a época dos itens pequenos embalados pra presente.

A regra que sai daqui: quanto menor e mais barato o produto, mais a embalagem manda na margem. Justamente os produtos de brinde, lembrancinha e kit, que são o forte de quem trabalha com vários ofícios.

"Mas é só colocar uma linha de embalagem em cada app"

Dá, e muita gente faz assim. O problema não é o primeiro dia, é o décimo. Digamos que o pacote de caixas sobe de R$ 95,00 pra R$ 110,00. A caixa passa de R$ 1,90 pra R$ 2,20, e o kit vai a R$ 3,87. Agora você precisa lembrar de todos os lugares onde digitou a embalagem: o app da confeitaria, a planilha dos brindes, a calculadora do laser, a do 3D. E, dentro de cada um, em todos os produtos que usam o kit. Esqueceu um? Aquele produto segue vendido com o custo velho, e você nem fica sabendo.

Outra objeção justa: "o app de 3D lê meu G-code, não vou largar isso". Faz sentido. Ferramentas de nicho são boas no que é do nicho. Só que ler G-code não ajuda em nada no custo da caixa kraft. O que atravessa os ofícios precisa morar num lugar que enxerga todos eles.

Fileira de caixas kraft fechadas com laço e tag prontas para entrega, ao lado de um caderno de custos aberto

Como isso fica numa base só no CrafterBy

No CrafterBy a conta acima vira três passos, e você faz uma vez:

  1. Cadastre cada item na biblioteca de materiais do jeito que você compra. O pacote de 50 caixas, o rolo de 50 m de fita. A conversão de unidade calcula o custo por caixa e por metro, e o fator de perda da fita entra na conta do custo. Nada de dividir de cabeça.
  2. Monte o kit como um componente. "Kit presente kraft" leva os cinco materiais e os 3 minutos de mão de obra. O CrafterBy calcula o custo total e o custo por unidade do kit. Tem uma caixa maior pra caneca? Monte um kit base sem a caixa (fita, tag, adesivo e papel) e use ele como subcomponente de um kit P e de um kit G, cada um com a sua caixa.
  3. Adicione o componente em cada produto, de qualquer ofício: o bolo, a caneca, o chaveiro, a peça 3D. É o mesmo kit, com o mesmo custo, em todos.

Quando a caixa subir pra R$ 110,00, você altera o preço em um lugar só, no material. O custo novo passa pro componente e dele pra cada produto que usa o kit. Na análise de margem dá pra ver na hora quais produtos ficaram apertados (spoiler: os pequenos), e o relatório em CSV ou PDF mostra o catálogo inteiro antes de você fechar o preço das encomendas de outubro.

Não é mágica, é só não repetir o que é igual. Uma caixa, um cadastro. Um kit, um custo. Todos os ofícios enxergando o mesmo número.

Pra fazer ainda esta semana

Pega a gaveta da embalagem e faz a conta do seu kit com os preços do último pedido, com fita, perda e os minutos de montagem. Compara com o número que está hoje em cada ferramenta. Se a diferença for de centavos, ótimo, você dorme tranquilo. Se não for, melhor descobrir agora do que no meio do pico de novembro.

E se quiser fazer isso uma vez só, pra todos os ofícios, a calculadora do CrafterBy tem plano grátis. Experimente e traga todos os seus ofícios pra uma base só.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *