Você vendeu um amigurumi por R$45 na Shopee, viu "frete grátis" no anúncio e achou que a plataforma pagava a entrega inteira. Aí o pedido foi pra Fortaleza. E, quando o dinheiro caiu, era bem menos do que você esperava — sem você entender direito onde foi parar.
O buraco tem nome: o cupom de frete grátis tem teto. A Shopee não paga o frete todo. Ela subsidia até um valor, e tudo que passar disso sai do seu bolso. A maioria dos vendedores só descobre isso depois de já ter enviado dezenas de pedidos baratos demais.

O teto do cupom: R$20, R$30 ou R$40
Desde março de 2026, todo vendedor ativo na Shopee entra automaticamente no programa de frete grátis — não dá mais pra desativar. E o subsídio funciona por faixa de preço do produto:
- Produto até R$79,99 → a Shopee cobre até R$20 de frete.
- Produto de R$80 a R$199,99 → cobre até R$30.
- Produto acima de R$200 → cobre até R$40.
Repare no detalhe que muda tudo: é "até". Se o frete real for R$26 e o teto for R$20, os R$6 de diferença são seus. Você não vê essa conta na hora da venda — ela some dentro do repasse.
E aqui mora a armadilha regional. Frete pro Sul e Sudeste costuma caber no teto. Mas Norte, Nordeste e Centro-Oeste saem mais caros, e num produto de ticket baixo é muito comum o frete real estourar o subsídio. Ou seja: o mesmo amigurumi de R$45 te dá um lucro no Rio e um prejuízo em Manaus, sem você mudar nada no anúncio.
A conta de verdade dos R$45
Vamos abrir os R$45 do amigurumi, um pedido pro Nordeste, com frete real de R$26:
- Comissão (20% até R$79,99): R$9,00
- Taxa fixa por item: R$4,00
- Frete que estourou o teto (R$26 real − R$20 de subsídio): R$6,00
- Total que a plataforma e o frete comeram: R$19,00
Sobrou R$26 dos R$45. Parece que ainda deu, né? Ainda não terminou a conta — falta o mais importante: o que o amigurumi custou pra existir.
- Materiais com desperdício: fio de algodão, enchimento, olhos de segurança e as sobras que sempre ficam → cerca de R$11.
- Sua mão de obra: 1h30 de crochê. Se sua hora vale R$20 (e vale, no mínimo) → R$30.
Custo real do produto: R$41. Você recebeu R$26. Isso é R$15 de prejuízo por peça — e o mais cruel: você trabalhou 1h30 de graça e ainda tirou dinheiro do bolso pra ter esse "privilégio". Não é falta de talento. É uma conta que ninguém te mostrou.

Como calcular o preço certo (na ordem certa)
O erro é começar pelo preço. Comece pelo custo — e só no fim some as taxas.
1. Material com fator de desperdício. Não conte só o que entra na peça: conte o que sobra. Um novelo rende X, mas você perde pontas, refaz partes, testa cor. Se o fio "puro" da peça é R$8, some 15–20% de perda e trabalhe com ~R$9,50. Converta unidades direito: você compra o fio por quilo, mas gasta por metro.
2. Sua hora de trabalho. Cronometre uma peça de verdade uma vez. Defina quanto vale sua hora e multiplique. Mão de obra não é "lucro" — é custo. Se você não se paga, ninguém paga.
3. Custos fixos rateados. Energia, embalagem, etiqueta, o pedacinho da sua internet e do seu tempo de foto e anúncio. Some tudo do mês e divida pelo número de peças que você faz.
4. Só agora, as taxas do marketplace. Pegue o custo total, decida sua margem de lucro e então precifique de trás pra frente: parta do quanto você quer receber limpo e "infle" o preço até que, depois de comissão + taxa fixa + o frete que pode estourar o teto, ainda sobre esse valor. Precificar assim é a diferença entre achar que lucrou e lucrar de verdade.
Um detalhe que confunde muita gente: markup não é margem. Markup é quanto você multiplica em cima do custo; margem é a fatia do preço final que sobra como lucro. Um markup de 2x num produto que ainda paga 20% de comissão e frete estourado pode virar uma margem magrinha — ou negativa. Olhe sempre a margem, não o markup.
O erro que quase todo mundo comete
Precificar igual em todo lugar. A comissão da Shopee não é a do Mercado Livre nem a da Etsy, e o teto de frete é um bicho só da Shopee. Botar o mesmo R$45 nas três plataformas garante que em pelo menos uma você está no vermelho. Some a isso esquecer o frete grátis na conta e não cobrar a própria mão de obra, e o prejuízo vira rotina disfarçada de "movimento".

Como o CrafterBy resolve isso
É exatamente pra essa conta que o CrafterBy existe. Você monta sua biblioteca de materiais com fator de desperdício e conversão de unidade (kg pra metro, folha pra peça), define o valor da sua hora e seus custos fixos uma vez. A calculadora de custos junta tudo e a análise de margem já embute as taxas de cada marketplace — comissão, taxa fixa e o frete que pode estourar o teto — pra te mostrar o preço que dá lucro por plataforma. Salvou como template? Toda peça parecida sai precificada em segundos, sem refazer a conta na mão.
O trabalho à mão vale muito — vale cada hora que você coloca nele. O que não pode é a plataforma cobrar mais barato pela sua peça do que você. Pare de chutar. Comece a calcular.
Teste a calculadora gratuita do CrafterBy e descubra seu preço real por marketplace — precifique com confiança (link na bio).