Clássico ou Premium no Mercado Livre: a conta do artesão

Marketplaces · 7 min de leitura · por Roger

"Coloco no Clássico ou no Premium?" É a pergunta que aparece bem na hora de publicar o anúncio, com a foto já tirada, a peça já pronta e o celular na mão. O Mercado Livre explica a diferença numa frase: o Premium dá mais exposição e parcelamento sem juros para o comprador. Fica parecendo upgrade de hotel, só um pouquinho mais caro e bem mais bonito.

Só que esse "pouquinho" são 5 pontos de comissão. O Clássico cobra entre 10% e 14%, conforme a categoria. O Premium cobra entre 15% e 19%. E, para quem faz à mão, 5 pontos no preço podem virar metade do lucro.

Vamos fazer a conta com calma, peça por peça.

Bolsa de couro artesanal na bancada ao lado de uma caixa de envio aberta, enquanto a artesã confere o anúncio da mesma bolsa no celular

A mesma bolsa, dois anúncios

Pense numa bolsa transversal de couro vendida por R$120. Para o exemplo, vou usar 12% no Clássico e 17% no Premium, que ficam no meio das faixas. Confira a porcentagem da sua categoria antes de copiar os números.

Primeiro o custo real da bolsa, antes de qualquer taxa:

  • Materiais: R$26 (couro e forro já com o fator de desperdício dos retalhos, mais ferragens)
  • Embalagem: R$4
  • Mão de obra: 1h30 a R$24 a hora, R$36
  • Custos fixos rateados (luz, ferramenta, MEI, internet): R$4

Custo total: R$70.

Acima de R$79, o frete grátis é obrigatório no Mercado Livre e uma parte dele sai do seu bolso. Quanto sai depende do peso, das medidas e da sua reputação. Aqui vou usar R$22 de frete por sua conta como exemplo. Troque pelo valor que o simulador do ML mostra para o seu pacote.

Agora os dois anúncios:

| | Clássico (12%) | Premium (17%) |
|—|—|—|
| Preço de venda | R$120,00 | R$120,00 |
| Comissão | – R$14,40 | – R$20,40 |
| Frete por sua conta | – R$22,00 | – R$22,00 |
| Custo da peça | – R$70,00 | – R$70,00 |
| Lucro | R$13,60 | R$7,60 |
| Margem sobre o preço | 11,3% | 6,3% |

O comprador paga os mesmos R$120. A diferença na comissão é de R$6. Mas esses R$6 saem de um lucro de R$13,60, então o Premium leva 44% do que sobraria para você. Cinco pontos no preço viram quase metade no bolso.

Isso acontece porque a comissão incide sobre o preço inteiro e o lucro é só a pontinha que sobra no final. Quanto mais fina a sua margem, mais qualquer ponto a mais de taxa pesa.

Duas bolsas de couro idênticas na bancada: uma apoiada sobre papel kraft simples, a outra sobre um pedestal de madeira clara, como numa vitrine

Markup não é margem (e é aqui que muita gente se engana)

Olhando só o custo, essa bolsa parece muito bem precificada: custa R$70 e sai por R$120. É um markup de 1,71, ou seja, o preço é o custo multiplicado por 1,71. Parece folga de sobra.

A margem é outra coisa. Ela mostra quanto do preço fica com você depois de tudo sair. Aqui dá 11,3% no Clássico e 6,3% no Premium. Um markup que parece generoso vira uma margem apertada depois da comissão e do frete. E quem decide Clássico ou Premium pelo markup está olhando o número errado.

"Mas o Premium vende mais"

Pode vender. Pode ser que sim, e esse é o argumento honesto a favor dele. Então vamos calcular quanto a mais ele precisa vender para compensar.

No Clássico, cada bolsa deixa R$13,60. No Premium, R$7,60. Para o lucro do mês empatar, o Premium precisa vender 79% mais bolsas. Se você vende 10 por mês no Clássico (R$136 de lucro), vai precisar de 18 no Premium para chegar ao mesmo resultado.

E aqui entra o que as tabelas de taxa não contam: você não é um galpão. São 8 bolsas a mais, e cada uma leva 1h30 de trabalho. Dá 12 horas extras no mês, mais couro, mais embalagem, mais idas aos Correios, tudo para terminar o mês com o mesmo lucro de antes. Sua hora está paga dentro do custo, é verdade. Mas quem tem a agenda cheia simplesmente não tem essas 12 horas sobrando.

Mãos de artesão costurando à mão um painel de couro preso num cavalete de madeira, com linha encerada e sovela na bancada

Para quem produz à mão, o Premium só faz sentido em duas situações:

  1. Você tem capacidade sobrando. Tem horas paradas, peça pronta encalhada ou estoque que não gira, e a exposição extra pode trazer vendas que hoje não existem.
  2. Você sobe o preço para cobrir a diferença. Nesse caso o Premium deixa de ser um desconto que você dá sem perceber.

Quanto cobrar no Premium para empatar

A conta é simples. Some custo, frete e o lucro que você quer ter. Depois divida por (1 menos a comissão).

No exemplo: (R$70 + R$22 + R$13,60) ÷ 0,83 = R$127,23.

Arredondando para R$127,90, a comissão do Premium fica em R$21,74 e sobram R$14,16 de lucro. Você passa a ganhar um pouco mais que no Clássico a R$120, e o comprador pode parcelar sem juros. Para uma bolsa de R$120 ou mais, o parcelamento pesa de verdade na decisão de quem compra, então essa diferença de R$7,90 costuma passar quase sem ninguém notar.

Veja que não é somar 5% ao preço (R$126). Como a comissão incide sobre o preço novo, é preciso dividir, não somar. Quem só soma os pontos no preço continua perdendo alguns centavos em cada venda.

E na peça barata? Aí o Premium quase nunca compensa

Agora um porta-cartão de couro de R$45. Abaixo de R$79, o Mercado Livre cobra também uma tarifa por unidade, que desde março de 2026 depende do peso e das medidas e costuma ficar entre R$6 e R$7. Essa tarifa aparece nos dois tipos de anúncio.

A diferença de comissão entre os dois é pequena, R$5,40 contra R$7,65. Só que quem compra um porta-cartão de R$45 não vai parcelar em 6 vezes. Nessa faixa, o principal argumento do Premium simplesmente não existe, e você paga R$2,25 a mais por venda sem ganhar nada em troca.

Caixa de envio de papel kraft fechada sobre uma balança de cozinha, ao lado de uma carteira de couro, uma caneca de cerâmica e uma fita métrica

O erro mais comum: decidir o tipo do anúncio e o preço separadamente

O tipo do anúncio é escolhido em cada anúncio, não vale para a loja toda. Então você não precisa de uma regra única. Dá para montar uma lógica simples:

  • Peças abaixo de R$79: Clássico. O parcelamento não pesa e a tarifa por unidade já come bastante.
  • Peças de ticket alto, em que o comprador parcela: Premium, com o preço recalculado pela divisão.
  • Peças sob encomenda com agenda cheia: Clássico. Você não precisa de mais exposição, precisa de mais lucro por peça.

O prejuízo quase sempre acontece quando a pessoa sobe para o Premium e esquece de mexer no preço. Ninguém "escolhe" perder R$6 por venda. A perda chega quietinha, um clique antes de publicar.

Onde o CrafterBy entra

Para fazer essa conta direito, você precisa de um custo real antes de pensar em taxa. O couro tem desperdício, a linha é comprada em metro e usada em centímetro, a sua hora tem valor e a conta de luz também entra.

No CrafterBy, a biblioteca de materiais cuida da conversão de unidades e do fator de desperdício. A calculadora de custos junta materiais, mão de obra e custos fixos. E os templates reutilizáveis fazem a bolsa que você já calculou uma vez servir de base para as variações. Com o custo certo, a análise de margem mostra o que sobra em cada canal. Aí você compara Clássico e Premium com os seus números, não com os do vizinho.

Pare de chutar. Comece a calcular.

Uma bolsa costurada à mão carrega horas de trabalho que nenhum algoritmo de vitrine enxerga. Ela merece um preço que pague essas horas, qualquer que seja o tipo de anúncio. Teste a calculadora gratuita do CrafterBy e descubra seu preço real por marketplace. Precifique com confiança (link na bio).

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