Gabarito do laser: quem paga por ele no lote?

Precificação · 6 min de leitura · por Roger

"Fechei 30 réguas gravadas para uma escola. Antes de gravar a primeira, passei quase uma tarde fazendo um gabarito para as réguas não saírem tortas. Isso entra no preço? Se eu cobrar, a régua fica cara. Se não cobrar, trabalhei de graça."

Essa dúvida aparece todo ano nesta época. O Dia das Crianças (12/10) e o Dia dos Professores (15/10) trazem pedidos em lote: réguas, marcadores de página, chaveiros com nome. Quase todo lote gravado no laser pede um gabarito, aquela placa de MDF com os recortes onde cada peça encaixa sempre no mesmo lugar. O gabarito resolve o posicionamento, mas costuma sumir da conta, porque não vai para o cliente, não aparece na foto do produto e, depois que fica pronto, parece que sempre esteve ali.

Ele não estava ali. Alguém desenhou, cortou, testou e ajustou. Este artigo é sobre onde esse custo mora e como dividir sem se prejudicar e sem cobrar duas vezes.

O gabarito é ferramenta, não é peça

A régua é o que você vende. O gabarito é o que você usa para fazer a régua. Parece óbvio, mas essa diferença muda a conta, porque ferramenta não pertence a uma unidade, pertence a um conjunto de unidades.

Se você colocar o custo inteiro do gabarito dentro de uma régua, ela fica absurda. Se colocar em nenhuma, você paga do próprio bolso toda vez que faz um gabarito novo. O caminho do meio é ratear: dividir o custo do gabarito pelo número de peças que ele de fato vai ajudar a produzir.

E é aí que mora a decisão importante, que nenhuma planilha toma por você: quantas peças esse gabarito vai servir de verdade?

Mão encaixando uma régua de madeira em branco num gabarito de MDF com seis recortes, sobre bancada de microcimento bege

O que entra no custo de um gabarito

Antes de dividir, é preciso saber quanto custou. Um gabarito de laser normalmente carrega:

  • Material: o pedaço de MDF (ou acrílico) usado. Muitas vezes é retalho, e retalho que ainda tinha uso tem valor. Se aquele pedaço poderia virar outra peça, ele não saiu de graça.
  • Tempo humano: medir a peça, desenhar os recortes, posicionar a chapa, cortar, testar o encaixe, corrigir a folga, cortar de novo se precisar.
  • Tempo de máquina: os minutos em que o laser cortou o gabarito também gastam tubo, energia e desgaste. Se você já tem um custo por hora da sua máquina, esses minutos entram com essa taxa. (Não existe um valor por minuto que sirva para todo mundo. Depende da sua máquina, do seu tubo e da sua conta de luz.)

Um exemplo calculado (números ilustrativos)

Os valores abaixo são premissas de exemplo, não médias de mercado nem medições. Troque pelos seus.

  • Retalho de MDF usado no gabarito: R$ 4,00
  • Tempo humano para desenhar, cortar, testar e ajustar: 45 minutos
  • Valor da sua hora: R$ 38/h. É a taxa implícita no exemplo da nossa página de corte e gravação a laser, onde 16 minutos de mão de obra somam R$ 10,13.

Conta:

  • Mão de obra: 45 min × R$ 38/h = R$ 28,50
  • Material: R$ 4,00
  • Custo do gabarito: R$ 32,50

Deixamos os minutos de máquina de fora de propósito, para não inventar um tempo de corte. Se você registra o custo por hora do seu laser, some os minutos reais do corte do gabarito com essa taxa.

Agora, o rateio muda conforme o que você espera desse gabarito:

| Cenário | Peças que o gabarito atende | Gabarito por régua |
|—|—|—|
| Pedido único de 10 réguas | 10 | R$ 3,25 |
| Um lote de 30 réguas | 30 | R$ 1,08 |
| Três lotes de 30 planejados | 90 | R$ 0,36 |

Repare no que a tabela mostra. O mesmo gabarito, com o mesmo custo, pesa três vezes mais por peça num pedido de 10 do que num de 30. É o mesmo motivo por que pedidos pequenos diluem menos toda a preparação: arquivo, aprovação do cliente, teste de gravação. O gabarito é só a parte mais visível disso.

Retalho de MDF com um recorte retirado, um primeiro gabarito de teste com dois recortes, duas tiras de madeira com estrela gravada e uma régua de aço

"Mas eu vou reaproveitar o gabarito"

Essa é a objeção mais comum, e ela está meio certa. Se o gabarito vai servir para outros lotes, cobrar o valor inteiro de um único pedido faz o primeiro cliente pagar a ferramenta que os próximos vão usar. Isso deixa seu preço acima do necessário justamente no pedido que você quer fechar.

O cuidado é o contrário: ratear por 90 peças quando você só tem 30 garantidas é apostar em pedidos que ainda não existem. Se a escola não voltar, 60 réguas imaginárias pagaram o gabarito, e na prática quem pagou foi você.

Um critério honesto:

  • Rateie pelo que é provável, não pelo que é possível. Se você já vende réguas todo mês, espalhar por vários lotes faz sentido. Se é a primeira vez que alguém pede esse formato, o primeiro lote carrega a maior parte.
  • Gabarito de peça única do cliente fica com o pedido. Um recorte feito para um brinde com formato exclusivo dificilmente vai servir de novo.
  • Gabarito genérico se paga aos poucos. Uma grade para réguas de 15 cm ou chaveiros redondos de tamanho padrão tende a voltar para a mesa.

Cuidado para não contar duas vezes

Aqui mora o erro silencioso. Muita gente já lança um tempo de "preparação" em cada pedido. Se o desenho e o ajuste do gabarito já estão dentro desse tempo, somar o gabarito de novo é cobrar a mesma hora duas vezes, e aí o preço sai caro sem motivo.

A regra é simples: cada minuto entra uma vez só. Ou o gabarito tem a linha dele, rateada pelo lote, e a preparação do pedido fica só com o que é daquele pedido (arquivo com os nomes, aprovação, posicionamento, teste). Ou tudo fica na preparação e o gabarito não aparece separado. Escolha um jeito e mantenha nos próximos pedidos.

O mesmo vale para a máquina. Se os minutos de corte do gabarito já entraram no custo do gabarito, eles não entram de novo no tempo de máquina da régua.

Custo não é preço

Os R$ 1,08 por régua do exemplo são custo de produção. Ainda não são preço e não dizem nada sobre margem. O preço vem depois de somar tudo o que a régua consome (material da peça, gravação, acabamento, embalagem, a parte dela no gabarito) e de separar as despesas da venda, como taxa de plataforma ou frete, se houver. Colocar o gabarito na conta não garante lucro. Só evita que um custo real passe sem ninguém ver.

Pilha de réguas de madeira gravadas com uma estrela, presas com cinta de papel kraft, e o gabarito de MDF guardado em pé na prateleira para o próximo lote

Na prática, na CrafterBy

Se quiser registrar isso sem planilha:

  1. Crie sua conta e escolha o plano Grátis, sem cartão de crédito.
  2. Cadastre a régua (ou a peça real do seu lote) como produto, com o material e o tempo de gravação.
  3. Na aba Calculadora → Custo Unitário, divida o custo do gabarito pelo número de peças que você realmente espera fazer com ele.
  4. Lance esse valor por peça em Outros Custos do produto, com um nome que diga o que é, por exemplo "gabarito — rateado em 30".
  5. Se o gabarito voltar em outros lotes, salve o produto como modelo e crie a variação com o novo rateio.

Comece com uma peça que você já faz e um lote que já está na mesa. Com o Dia dos Professores tão perto, a régua da escola é um bom lugar para começar.

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