"Coloco no Clássico ou no Premium?" É a pergunta que aparece bem na hora de publicar o anúncio, com a foto já tirada, a peça já pronta e o celular na mão. O Mercado Livre explica a diferença numa frase: o Premium dá mais exposição e parcelamento sem juros para o comprador. Fica parecendo upgrade de hotel, só um pouquinho mais caro e bem mais bonito.
Só que esse "pouquinho" são 5 pontos de comissão. O Clássico cobra entre 10% e 14%, conforme a categoria. O Premium cobra entre 15% e 19%. E, para quem faz à mão, 5 pontos no preço podem virar metade do lucro.
Vamos fazer a conta com calma, peça por peça.

A mesma bolsa, dois anúncios
Pense numa bolsa transversal de couro vendida por R$120. Para o exemplo, vou usar 12% no Clássico e 17% no Premium, que ficam no meio das faixas. Confira a porcentagem da sua categoria antes de copiar os números.
Primeiro o custo real da bolsa, antes de qualquer taxa:
- Materiais: R$26 (couro e forro já com o fator de desperdício dos retalhos, mais ferragens)
- Embalagem: R$4
- Mão de obra: 1h30 a R$24 a hora, R$36
- Custos fixos rateados (luz, ferramenta, MEI, internet): R$4
Custo total: R$70.
Acima de R$79, o frete grátis é obrigatório no Mercado Livre e uma parte dele sai do seu bolso. Quanto sai depende do peso, das medidas e da sua reputação. Aqui vou usar R$22 de frete por sua conta como exemplo. Troque pelo valor que o simulador do ML mostra para o seu pacote.
Agora os dois anúncios:
| | Clássico (12%) | Premium (17%) |
|—|—|—|
| Preço de venda | R$120,00 | R$120,00 |
| Comissão | – R$14,40 | – R$20,40 |
| Frete por sua conta | – R$22,00 | – R$22,00 |
| Custo da peça | – R$70,00 | – R$70,00 |
| Lucro | R$13,60 | R$7,60 |
| Margem sobre o preço | 11,3% | 6,3% |
O comprador paga os mesmos R$120. A diferença na comissão é de R$6. Mas esses R$6 saem de um lucro de R$13,60, então o Premium leva 44% do que sobraria para você. Cinco pontos no preço viram quase metade no bolso.
Isso acontece porque a comissão incide sobre o preço inteiro e o lucro é só a pontinha que sobra no final. Quanto mais fina a sua margem, mais qualquer ponto a mais de taxa pesa.

Markup não é margem (e é aqui que muita gente se engana)
Olhando só o custo, essa bolsa parece muito bem precificada: custa R$70 e sai por R$120. É um markup de 1,71, ou seja, o preço é o custo multiplicado por 1,71. Parece folga de sobra.
A margem é outra coisa. Ela mostra quanto do preço fica com você depois de tudo sair. Aqui dá 11,3% no Clássico e 6,3% no Premium. Um markup que parece generoso vira uma margem apertada depois da comissão e do frete. E quem decide Clássico ou Premium pelo markup está olhando o número errado.
"Mas o Premium vende mais"
Pode vender. Pode ser que sim, e esse é o argumento honesto a favor dele. Então vamos calcular quanto a mais ele precisa vender para compensar.
No Clássico, cada bolsa deixa R$13,60. No Premium, R$7,60. Para o lucro do mês empatar, o Premium precisa vender 79% mais bolsas. Se você vende 10 por mês no Clássico (R$136 de lucro), vai precisar de 18 no Premium para chegar ao mesmo resultado.
E aqui entra o que as tabelas de taxa não contam: você não é um galpão. São 8 bolsas a mais, e cada uma leva 1h30 de trabalho. Dá 12 horas extras no mês, mais couro, mais embalagem, mais idas aos Correios, tudo para terminar o mês com o mesmo lucro de antes. Sua hora está paga dentro do custo, é verdade. Mas quem tem a agenda cheia simplesmente não tem essas 12 horas sobrando.

Para quem produz à mão, o Premium só faz sentido em duas situações:
- Você tem capacidade sobrando. Tem horas paradas, peça pronta encalhada ou estoque que não gira, e a exposição extra pode trazer vendas que hoje não existem.
- Você sobe o preço para cobrir a diferença. Nesse caso o Premium deixa de ser um desconto que você dá sem perceber.
Quanto cobrar no Premium para empatar
A conta é simples. Some custo, frete e o lucro que você quer ter. Depois divida por (1 menos a comissão).
No exemplo: (R$70 + R$22 + R$13,60) ÷ 0,83 = R$127,23.
Arredondando para R$127,90, a comissão do Premium fica em R$21,74 e sobram R$14,16 de lucro. Você passa a ganhar um pouco mais que no Clássico a R$120, e o comprador pode parcelar sem juros. Para uma bolsa de R$120 ou mais, o parcelamento pesa de verdade na decisão de quem compra, então essa diferença de R$7,90 costuma passar quase sem ninguém notar.
Veja que não é somar 5% ao preço (R$126). Como a comissão incide sobre o preço novo, é preciso dividir, não somar. Quem só soma os pontos no preço continua perdendo alguns centavos em cada venda.
E na peça barata? Aí o Premium quase nunca compensa
Agora um porta-cartão de couro de R$45. Abaixo de R$79, o Mercado Livre cobra também uma tarifa por unidade, que desde março de 2026 depende do peso e das medidas e costuma ficar entre R$6 e R$7. Essa tarifa aparece nos dois tipos de anúncio.
A diferença de comissão entre os dois é pequena, R$5,40 contra R$7,65. Só que quem compra um porta-cartão de R$45 não vai parcelar em 6 vezes. Nessa faixa, o principal argumento do Premium simplesmente não existe, e você paga R$2,25 a mais por venda sem ganhar nada em troca.

O erro mais comum: decidir o tipo do anúncio e o preço separadamente
O tipo do anúncio é escolhido em cada anúncio, não vale para a loja toda. Então você não precisa de uma regra única. Dá para montar uma lógica simples:
- Peças abaixo de R$79: Clássico. O parcelamento não pesa e a tarifa por unidade já come bastante.
- Peças de ticket alto, em que o comprador parcela: Premium, com o preço recalculado pela divisão.
- Peças sob encomenda com agenda cheia: Clássico. Você não precisa de mais exposição, precisa de mais lucro por peça.
O prejuízo quase sempre acontece quando a pessoa sobe para o Premium e esquece de mexer no preço. Ninguém "escolhe" perder R$6 por venda. A perda chega quietinha, um clique antes de publicar.
Onde o CrafterBy entra
Para fazer essa conta direito, você precisa de um custo real antes de pensar em taxa. O couro tem desperdício, a linha é comprada em metro e usada em centímetro, a sua hora tem valor e a conta de luz também entra.
No CrafterBy, a biblioteca de materiais cuida da conversão de unidades e do fator de desperdício. A calculadora de custos junta materiais, mão de obra e custos fixos. E os templates reutilizáveis fazem a bolsa que você já calculou uma vez servir de base para as variações. Com o custo certo, a análise de margem mostra o que sobra em cada canal. Aí você compara Clássico e Premium com os seus números, não com os do vizinho.
Pare de chutar. Comece a calcular.
Uma bolsa costurada à mão carrega horas de trabalho que nenhum algoritmo de vitrine enxerga. Ela merece um preço que pague essas horas, qualquer que seja o tipo de anúncio. Teste a calculadora gratuita do CrafterBy e descubra seu preço real por marketplace. Precifique com confiança (link na bio).