"Coloquei só a vela de lavanda na campanha. Por que o repasse do mês veio menor em tudo?"
Essa pergunta aparece bastante em grupo de artesã nesta época, e ela tem uma resposta que quase ninguém dá. Na Shopee, a taxa da Campanha de Destaque passou de 2,5% para 3,5% em 23 de abril de 2026. O detalhe que machuca, relatado por vendedores e por empresas que integram lojas à plataforma, é outro: esses 3,5% não ficam só no produto que você inscreveu. Eles valem para todas as vendas da loja no período. E a participação renova sozinha se você não pedir para sair pelo formulário dentro do prazo.
Ou seja, você escolhe um produto para a vitrine e a loja inteira paga por isso.
Faltam 12 dias para o 10.10, as inscrições para o 11.11 já estão abertas e a Black Friday vem logo depois. É agora que chegam os convites de "entre na campanha e ganhe destaque". Antes de clicar em aceitar, faça a conta que vem abaixo.

Um aviso honesto antes dos números
A subida de 2,5% para 3,5% é confirmada por várias fontes. Já a regra de que a taxa cai sobre a loja toda e renova automaticamente vem de relatos de vendedores e de empresas do setor. Existe inclusive uma reclamação pública com o título "cobrança de 3,5% mesmo após saída formal de campanha". As regras mudam, e cada campanha tem o próprio termo de adesão. Leia o termo antes de aceitar e, no mês seguinte, confira no extrato. A conta que vem a seguir serve para você decidir com os olhos abertos, seja qual for a letra miúda.
A loja da Júlia, antes e depois da campanha
A Júlia faz velas aromáticas e vende só pela Shopee, direto do celular. São cerca de 60 pedidos por mês, todos a R$50, o que dá R$3.000 de faturamento. Uma das velas, a de lavanda, sai mais ou menos 10 vezes por mês.
Na tabela da Shopee em vigor desde março de 2026, um produto de R$50 paga 20% + R$4 de comissão, ou seja, R$14 por venda (o frete grátis obrigatório já está embutido aí). O custo real de cada vela, contando cera, pavio, essência, pote, caixinha, a hora da Júlia e uma parte do aluguel e da luz, é de R$20.
Sem campanha:
- Preço de R$50, menos R$14 de comissão e R$20 de custo: R$16 de lucro por vela.
- 60 vendas × R$16 = R$960 no mês.
Aí chega o convite. A Júlia inscreve só a vela de lavanda, com 10% de desconto (passa de R$50 para R$45). A campanha funciona e a lavanda dobra: são 20 vendas no mês em vez de 10. As outras 50 vendas continuam iguais.
Com campanha:
- As 50 velas que não estão na campanha continuam a R$50, mas agora pagam também 3,5% (R$1,75). Sobram 50 − 14 − 1,75 − 20 = R$14,25 cada. Em 50 vendas, R$712,50.
- A lavanda sai a R$45. A comissão cai para R$13 (20% de 45 + R$4), e os 3,5% ficam em R$1,58. Sobram 45 − 13 − 1,58 − 20 = R$10,42 cada. Em 20 vendas, R$208,40.
- Total: R$920,90 no mês.
O faturamento subiu de R$3.000 para R$3.400, e a Júlia fez 10 velas a mais. O lucro caiu R$39,10.
A campanha deu certo e mesmo assim a Júlia perdeu dinheiro. Isso acontece porque o custo da campanha tem duas partes, e só uma aparece na hora da inscrição.

As duas mordidas da campanha
A primeira mordida é o desconto no produto inscrito. Essa todo mundo vê. Mas repare: as 10 lavandas que a Júlia ia vender de qualquer jeito também saíram com desconto. Em cada uma, ela deixou de ganhar R$5,58 (de R$16 caiu para R$10,42). Isso soma R$55,80 que ninguém mandou cobrar.
A segunda mordida é o pedágio na loja toda. Esses 3,5% sobre as 50 vendas que não tinham nada a ver com a campanha dão R$87,50 no mês. Isso inclui a cliente que veio pelo seu Instagram, a que comprou de novo e a que achou a vela de canela na busca. Todas pagam a taxa.
Juntando as duas, a campanha custou R$143,30 antes de trazer qualquer venda nova. Como cada lavanda vendida na campanha deixa R$10,42, a Júlia precisa de 14 vendas extras só para empatar. Ou seja, 24 lavandas no mês, quase duas vezes e meia o normal. Dobrar as vendas, que parecia um sucesso, não foi suficiente.
A conta para você fazer antes de aceitar o convite
Não precisa planilha complicada. São quatro passos:
- Saiba o seu custo real por peça. Material com o desperdício que sobra na panela ou no retalho, a sua hora de trabalho e uma parte dos custos fixos. Sem esse número, o resto da conta vira chute.
- Calcule o pedágio: 3,5% × o faturamento que você espera da loja inteira no período da campanha.
- Calcule a perda com o desconto: (lucro normal − lucro com desconto) × quantas unidades daquele produto você venderia de qualquer jeito.
- Divida a soma (pedágio + perda) pelo lucro de cada unidade vendida na campanha. O resultado é quantas vendas a mais a campanha precisa trazer para você não sair no prejuízo.
Se esse número parece improvável para o seu produto, você já tem a resposta.
Um cuidado com porcentagem. Os 3,5% são cobrados sobre o preço de venda, não sobre o custo. Por isso, somar "3,5% a mais" em cima do custo, como se fosse markup, não cobre a taxa. Quem trabalha com markup sobre o custo precisa converter: a taxa sai da margem, que é a parte do preço de venda que fica com você.
"Mas a campanha traz visibilidade"
Às vezes traz mesmo. Cliente nova que volta depois, avaliação que ajuda o anúncio, um produto que decola no 11.11 com volume que você nunca teria sozinha. Não é proibido entrar. A diferença é entrar sabendo quanto essa visibilidade custa e até quando.
Pense na campanha como um gasto de divulgação. Divulgação boa tem orçamento com teto e data para acabar. O problema dos 3,5% sobre a loja toda é que ele não tem teto: quanto mais você vende, inclusive pelos seus próprios canais, mais você paga. E se a participação renova sozinha, a data para acabar também some. Uma loja como a da Júlia que esquece de sair paga uns R$105 por mês sobre R$3.000 de faturamento, mesmo quando a campanha já não traz ninguém. Em três meses de distração, são mais de R$300 que saíram sem trazer nada.
Para o volume grande do 11.11 e da Black Friday, a conta pode fechar, sim. Faça a conta com os números do evento, não com os do mês comum.

O que fazer esta semana
- Antes de aceitar, faça a conta dos quatro passos para cada campanha. É uma conta por campanha, não uma para o ano todo.
- Leia o termo de adesão para ver o período, se a taxa vale para a loja toda e como é a saída.
- Anote na agenda o prazo do formulário de saída no mesmo dia em que você entrar. Não confie na memória em pleno Q4.
- No mês seguinte, abra o extrato e procure a cobrança da campanha. Se ela aparecer depois que você saiu, junte os prints e reclame.
- Não inscreva o produto que já vende sozinho. Desconto no campeão de vendas quase sempre é dinheiro dado de presente.
Onde o CrafterBy entra
A conta toda depende de uma coisa só: saber o custo real de cada peça. É aí que a maioria das makers trava, e é para isso que o CrafterBy existe. Você cadastra os materiais uma vez na biblioteca (com unidade de compra, conversão e desperdício), monta cada produto como template reutilizável com a sua hora de trabalho e os custos fixos, e enxerga a margem de cada peça. Com esse número na mão, a conta da campanha leva cinco minutos, e você decide se entra olhando o seu lucro, não só o selo de "Destaque".
Pare de chutar. Comece a calcular.
Quem faz vela, sabonete, crochê ou joia à mão merece ver esse trabalho virar dinheiro no bolso, não pedágio de plataforma. Teste a calculadora gratuita do CrafterBy e descubra o seu preço real por marketplace. Precifique com confiança (link na bio).