O imposto cai sobre a venda cheia — não sobre o que sobrou
Você anunciou uma peça por R$100. O cliente pagou, a plataforma processou, e quando o dinheiro caiu na sua conta eram R$78. A comissão levou o resto. Beleza, você já contava com isso.
Aí chega o fim do mês e você vai calcular o imposto. E aqui mora o erro mais caro de quem vende à mão no marketplace: você pega os R$78 que sobraram e aplica a alíquota em cima deles. Errado. O imposto não olha para o que sobrou no seu bolso. Ele olha para o valor cheio que o cliente pagou — os R$100. Muitas vezes, os R$100 mais o frete.

Por que a base do imposto é a venda inteira
No Simples Nacional, a alíquota incide sobre a receita bruta — o valor total da venda registrado na nota. Não é o valor líquido que a plataforma te repassa depois de tirar a comissão. É o valor de face do pedido.
Traduzindo para a sua realidade: a Shopee, o Mercado Livre e a Etsy descontam a comissão antes de te pagar. Mas para o imposto, aquela comissão nunca "saiu" da venda — ela faz parte do que o cliente pagou. Você recolhe imposto sobre um dinheiro que a plataforma já ficou. Dói, mas é assim que a conta funciona.
E tem um detalhe que quase todo mundo esquece: o frete também entra na base. Quando você faz "frete grátis" embutido no preço, o cliente paga tudo junto e o valor cheio da venda é maior. O imposto acompanha esse valor maior. Você não está pagando imposto só sobre a peça — está pagando sobre a peça mais o frete que saiu do seu bolso.
Uma observação honesta: se você é MEI, paga um DAS fixo por mês e essa lógica de porcentagem sobre cada venda não te atinge da mesma forma. Mas no dia em que você passar do teto do MEI, ou já estiver no Simples como comércio, é exatamente esta conta que passa a valer. Isto aqui não é orientação contábil — é para você não ser pego de surpresa. Seu contador fecha os números.
A conta real, com números redondos
Vamos pegar uma ceramista que vende um vaso na Shopee.
- Preço anunciado: R$100
- Comissão + tarifa fixa por item: 18% (R$18) + R$4 = R$22
- Cai na conta: R$78
Até aqui, nenhuma novidade — é a mordida da comissão, que você já conhece.
Agora o imposto. Suponha que você esteja no Simples como comércio, com alíquota inicial de 4%.
- Jeito errado: 4% sobre os R$78 que sobraram = R$3,12
- Jeito certo: 4% sobre os R$100 da venda cheia = R$4,00
Parece pouco, R$0,88 de diferença por peça. Mas é o pensamento que está quebrado, não só o centavo. Porque quando você monta o preço, é essa base errada que te faz achar que sobra mais do que sobra. E ela cresce com você: conforme o faturamento sobe, a alíquota do Simples sobe junto — 7,3%, 9,5% — e sempre sobre a venda cheia. O que era R$0,88 vira R$5, R$8 por peça.
Agora feche a margem de verdade, com o custo real da peça em R$50:
- Venda: R$100
- Menos comissão e tarifa: −R$22 → sobram R$78
- Menos imposto sobre a venda cheia (4% de R$100): −R$4 → sobram R$74
- Menos custo real (materiais + sua hora + fixos): −R$50
- Lucro real: R$24
Quem contou o imposto sobre os R$78 achava que tinha R$24,88. Quem esqueceu o imposto de vez achava R$28. A diferença entre "achar" e "saber" é o que separa o maker que cresce do que trabalha de graça sem perceber.
O erro do frete grátis, na prática
Troque o cenário: agora o frete vai separado e o cliente paga R$100 pela peça mais R$25 de frete — total de R$125 no pedido. Se a nota registra os R$125, o imposto incide sobre R$125, não sobre R$100. São R$5 em vez de R$4, num pedido em que você já bancou o transporte. Ignorar o frete na base do imposto é o mesmo erro da comissão sobre o frete: você paga por um valor que passa pela sua venda mas nunca foi seu lucro.

Como precificar já contando o imposto
A regra é simples: o imposto entra no preço antes de você anunciar, não depois de vender. Você não "descobre" o imposto no fim do mês — você embute ele no cálculo do preço, junto com a comissão e o frete.
O caminho, na ordem:
- Custo real da peça primeiro. Some os materiais com fator de desperdício (aquele retalho de couro, o fio que sobra no crochê, a cera que gruda no fundo da panela) e com a conversão de unidade certa — você compra o fio em quilo mas usa em metro. Some a sua hora de trabalho, sem vergonha nenhuma. Some um pedaço dos custos fixos (energia, aluguel do cantinho, embalagem).
- Some a mordida da plataforma. Comissão em porcentagem, tarifa fixa por item, e o frete grátis se ele sai do seu bolso.
- Some o imposto sobre a venda cheia. Não sobre o líquido. Sobre o valor que o cliente vai pagar.
- Só então chegue no preço que ainda deixa a margem que você quer.
E aqui vale separar duas palavras que muita gente troca: markup é quanto você multiplica em cima do custo para chegar no preço; margem é a fatia do preço que sobra como lucro. Um markup de 2x sobre um custo de R$50 dá preço R$100 — mas se a comissão e o imposto comem R$26, a sua margem real não é 50%, é 24%. Precificar olhando só o markup, sem descontar as taxas, é o caminho mais rápido para vender achando que lucra.
Pare de chutar. Comece a calcular.
O problema não é o imposto existir. É você descobrir ele depois, quando o preço já está no ar e o dinheiro já caiu menor do que devia. Precificar peça a peça, na mão, com comissão diferente em cada praça e o imposto sobre a venda cheia, é convite para errar.

É exatamente para isso que o CrafterBy existe. Você monta o custo real da peça na calculadora — materiais com fator de desperdício e conversão de unidade, sua hora de trabalho, seus custos fixos —, guarda tudo numa biblioteca de materiais que se atualiza sozinha, transforma a peça num template reutilizável e vê a análise de margem já considerando comissão, frete e imposto. Muda a plataforma, muda a taxa, o preço se ajusta. Você para de adivinhar e passa a saber o preço real por marketplace.
Seu trabalho manual vale o que você cobra por ele — e o preço certo é o que ainda te deixa lucro depois que a Shopee, o Mercado Livre e o leão tiram a parte deles. Teste a calculadora gratuita do CrafterBy e descubra seu preço real por marketplace. Precifique com confiança (link na bio).