Custo-hora de máquina: a mesma conta em todo ofício
Você cobra pelo filamento da peça, pelo MDF do chaveiro, pela farinha do bolo e pelo tecido da bolsa. Mas cobra pela impressora que ficou seis horas ligada? Pelo laser que rodou doze minutos? Pelo forno que ficou quarenta minutos a 180°C? Pela máquina de costura que trabalhou meia hora? Na maioria dos ateliês multiofício, o insumo entra na conta e a máquina fica de fora — porque cada ofício vive num app diferente, e nenhum deles cobra essa conta do mesmo jeito.
O app do 3D até fala em "custo por hora de impressão". A planilha do bolo não fala em forno. O controle da costura não existe. Aí você aprende a pensar em custo-hora só para uma máquina e esquece que impressora, laser, forno e máquina de costura fazem exatamente a mesma conta. É um princípio só. E ele não precisa de quatro ferramentas para viver.

O custo escondido de espalhar a conta por vários apps
Quando cada máquina mora num lugar, três coisas acontecem, e nenhuma é boa.
Primeiro, você conta a máquina onde o app te lembra e esquece onde ele não lembra. O software de fatiar mostra as horas de impressão na sua cara, então você lembra da impressora. O forno e a máquina de costura não têm ninguém sussurrando "tem custo aqui" — então saem de graça. Metade do catálogo sai subprecificado não por má vontade, mas porque a ferramenta não puxou o assunto.
Segundo, quando conta, conta de um jeito diferente em cada lugar. No app do 3D é "por hora". Na planilha do laser você chutou um valor fixo por corte. No bolo, nada. Três métodos, três resultados que não se comparam. Você não consegue nem responder a pergunta mais simples do negócio: qual máquina se paga mais rápido?
Terceiro, o número envelhece e ninguém atualiza. A conta de luz subiu, o preço da máquina nova mudou, e aquele "custo-hora" que você calculou uma vez há um ano continua lá, congelado numa planilha que você abre uma vez por mês. Preço desatualizado é prejuízo silencioso.
Um princípio só: o que é custo-hora de máquina
Toda máquina custa dinheiro para existir e para ligar. Custo-hora é só transformar esse dinheiro em um valor por hora de uso, para você conseguir cobrar a fatia certa em cada peça. São três parcelas:
custo-hora = depreciação por hora + energia por hora + manutenção por hora
- Depreciação por hora = preço da máquina ÷ vida útil estimada em horas. É o dinheiro que você separa para repor a máquina quando ela morrer. Não é "taxa": é o caixa da próxima máquina.
- Energia por hora = potência média em kW × preço do kWh. É o que sai da sua conta de luz enquanto a máquina roda.
- Manutenção por hora = peças de desgaste e revisões, diluídas pelas horas até a troca (bico, correia, lente, agulha, óleo).
E o custo da peça é sempre a mesma multiplicação:
custo de máquina na peça = custo-hora × tempo de uso
Só isso. Serve para qualquer máquina que gira, aquece ou costura. Vamos fazer a conta.
A conta feita: impressora 3D
Suponha uma impressora de R$ 2.400 com vida útil estimada de 4.000 horas de impressão.
- Depreciação: R$ 2.400 ÷ 4.000 h = R$ 0,60/h
- Energia: 0,12 kW × R$ 0,90/kWh = R$ 0,11/h
- Manutenção (bico, correia, placa PEI): estime R$ 400 a cada 2.000 h = R$ 0,20/h
Custo-hora ≈ R$ 0,91/h.
Uma peça que leva 6 horas para imprimir carrega 6 × 0,91 = R$ 5,46 só de máquina — além do filamento, que você já contava. Se você vendia essa peça olhando só o plástico, esses R$ 5,46 saíam do seu bolso a cada unidade. Num lote de 20 peças no mês, são quase R$ 110 que sumiam.

A mesma conta nos outros três ofícios
O bonito é que você não aprende nada novo para as outras máquinas. É a mesma fórmula, com números da máquina.
Laser (corte de MDF). Máquina de R$ 12.000, vida útil estimada em 3.000 h → depreciação R$ 4,00/h. Energia 0,7 kW (com exaustão) × R$ 0,90 = R$ 0,63/h. Lentes, espelhos e tubo diluídos ≈ R$ 0,50/h. Custo-hora ≈ R$ 5,13/h. Um corte de 12 minutos (0,2 h) = R$ 1,03 por peça. Parece pouco — mas num painel de 50 chaveiros de Natal são mais de R$ 51 que a planilha esquecia.
Forno (confeitaria). Forno de R$ 3.000, vida útil 6.000 h → depreciação R$ 0,50/h. Energia de um elétrico ciclando ≈ 2 kW × R$ 0,90 = R$ 1,80/h. Manutenção baixa ≈ R$ 0,10/h. Custo-hora ≈ R$ 2,40/h. Assar 40 minutos (0,67 h) = R$ 1,60 por fornada — o custo que quase nenhuma planilha de bolo tem.
Máquina de costura. Máquina de R$ 1.800, vida útil 5.000 h → depreciação R$ 0,36/h. Energia 0,1 kW × R$ 0,90 = R$ 0,09/h. Agulhas, óleo e revisão ≈ R$ 0,15/h. Custo-hora ≈ R$ 0,60/h. Costurar 25 minutos (0,42 h) = R$ 0,25 por peça.
Quatro máquinas, quatro ofícios, uma fórmula. Você não precisou de quatro apps para pensar isso — precisou entender a conta uma vez.
As duas objeções que sempre aparecem
"Isso é centavo, não muda meu preço." Centavo por peça, sim. Mas o preço não é por peça, é por catálogo e por mês. Aqueles R$ 5,46 da impressora, R$ 1,03 do laser e R$ 1,60 do forno viram dezenas ou centenas de reais quando você multiplica pela produção do mês. E tem o lado que ninguém vê: quando a impressora morre às 4.000 horas, você precisa de R$ 2.400 para repor. Se nunca cobrou a depreciação, esse dinheiro sai do seu caixa, não do preço. Máquina "já paga" continua gastando luz todo mês e continua envelhecendo rumo à troca.
"Não sei a vida útil da máquina." Ninguém sabe com precisão — e tudo bem. Use uma estimativa conservadora e ajuste depois. Um custo-hora aproximado é infinitamente melhor que zero, porque zero é a única resposta garantidamente errada. A fórmula perdoa chute; ignorar a máquina não perdoa.
Uma ressalva honesta: custo-hora de máquina não é sua mão de obra. As horas que você fica na frente da máquina — modelando, montando, decorando, costurando — são outra linha, a do seu tempo. Máquina e pessoa são dois custos diferentes, e misturar os dois é como você acaba achando que "tá caro" quando na verdade nunca separou as contas.

Como isso vive numa base só
No CrafterBy você cadastra cada máquina uma vez, com o custo-hora dela. A impressora, o laser, o forno e a costura ficam lado a lado na mesma base — não em quatro apps que não se falam. Quando você monta um produto, ele puxa o tempo de uso e o custo-hora da máquina automaticamente, junto com o material (que já tem conversão de unidade e fator de desperdício) e a mão de obra, cada um na sua linha.
E aqui está o alívio de verdade: quando a conta de luz sobe e você atualiza o custo-hora de uma máquina, todos os produtos que usam aquela máquina são reprecificados de uma vez. Nada de caçar planilha por planilha. A análise de margem mostra na hora onde o preço apertou, e o relatório em CSV ou PDF sai pronto para a tabela de preços — cobrindo todos os ofícios, no mesmo lugar.
É o oposto do enxame de apps: um conceito de custo, uma base, todos os ofícios.
Traga a máquina para dentro do preço
Pare de deixar o forno e a costura de fora só porque o app deles não te lembrava. A conta é a mesma para as quatro — e cabe num lugar só.
Experimente grátis a calculadora do CrafterBy, cadastre suas máquinas com o custo-hora de cada uma e traga impressora, laser, forno e costura para uma base só. Você vai enxergar, pela primeira vez, quanto cada máquina realmente pesa em cada peça — e vai cobrar por isso.